“Terceiro Setor é o setor do milênio”

Vivian Lobato

“O Terceiro Setor é o setor do milênio”. A afirmação é do professor e coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Merege, que participou do evento “Melhores Práticas para o Terceiro Setor”, na Fundação Getúlio Vargas, na cidade de São Paulo (SP).

“Em 1999, as ONGs representavam 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que correspondia a US$ 30 bilhões. Esse número passou para 5%, que corresponde agora US$ 100 bilhões. O número de ONGs também cresceu bastante, de190 mil para 326 mil esse ano. Antes, o Terceiro Setor empregava 1,5 milhão de pessoas, hoje são 3 milhões”, lembrou.

Para o professor, esse crescimento é explicado pela forte mudança que ocorreu no setor. “No passado, o Terceiro Setor tinha um caráter mais assistencialista. Hoje, ele cumpre uma função muito mais atuante de formação do indivíduo, de luta pela preservação do meio ambiente, de defesa dos direitos humanos e de direito a cidadania”, comentou Merege.

“Elas ajudam no controle do Estado e fiscalizam o governo, para que cumpra o seu papel de: inclusão econômica, inclusão política, expansão da área pública, economia solidária e geração de emprego, renda e consumo”, disse. “Num país como o Brasil, que ocupa o 9º lugar dos países com pior distribuição de renda, o papel das ONGs é fundamental. Já que o governo não dá conta, são elas que atuam junto à sociedade, ajudando a resolver as questões sociais e a gerar novos empregos”, completou.

Avanços necessários

Segundo o professor, apesar do avanço, o Terceiro Setor brasileiro ainda precisa diversificar as suas fontes de recurso. “Hoje, 68% do dinheiro provêm de receitas próprias, 15% de recursos do Estado, 3% de doações privada de empresas e 14% doações privada individuais”, disse.

Além disso, profissionalizar a gestão do Terceiro Setor, para Merege, é outro grande passo obrigatório para garantir visibilidade ao setor. De acordo com o professor, para conseguir novas fontes de recurso, a prática de auditorias para o segmento seria uma boa saída, pois garante o crescimento do setor e sua credibilidade.

“Nesse momento é muito importante que as ONGs ganhem uma grande credibilidade perante aos diversos setores, pois, com o crescimento e visibilidade desse segmento podemos ajudar a controlar as ações políticas, influenciar nas políticas públicas e reverter o quadro brasileiro”, disse.

O professor finalizou dizendo que apesar do quadro positivo, o Terceiro Setor no Brasil ainda tem muito a se desenvolver. “Nos Estados Unidos, por exemplo, o Terceiro Setor atingiu 13% do PIB norte-americano, o que corresponde a US$ 1,76 trilhões. Se fossemos comparar esse número com o ranking das economias mundiais, o Terceiro Setor norte-americano ocuparia a 9º posição”.

   
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