| |
Moda sustentável abre perspectivas de mercado
Maior desafio está em provar que se trata
de uma necessidade para o futuro. Quem foi ao São Paulo Fashion
Week (SPFW) viu. Quem não foi, ficou sabendo pelos jornais,
revistas e TVs que a indústria brasileira da moda não
fica devendo nada a nenhum outro importante segmento econômico
do País quando o assunto é sustentabilidade. Inspirado
na idéia do desenvolvimento sustentável, o mais importante
evento de moda do País, encerrado ontem, revelou que esse
setor começa a incluir o conceito em todos os elos de sua
cadeia produtiva. A despeito das bandeiras empunhadas em defesa
do uso de energias renováveis e da redução
de emissão de gás carbônico, chamou mesmo a
atenção a parceria firmada entre o SPFW e o Instituto
"e", uma organização do terceiro setor recém-criada
cujo objetivo é pesquisar e disseminar alternativas social
e ambientalmente responsáveis, sobretudo para a cadeia de
produção de tecidos.
O diretor do instituto, Luís Justo, comemora
a inédita parceria, que considera um "megafone"
para a causa da sustentabilidade. "O próprio SPFW acredita
na força do tema e no fato de que estamos em um momento de
transformação. Por isso, escolhemos utilizar a moda.
Embora não seja um setor tradicionalmente muito preocupado
com o tema, ele sempre teve um papel importante na mudança
de comportamento e na sensibilização dos jovens e
dos formadores de opinião", explica.
Para Justo, o movimento não tem nada de ativismo.
Ele tem a finalidade de influenciar os stakeholders da indústria
da moda para fortalecer as ações que façam
dela um negócio economicamente viável, socialmente
justo e ambientalmente correto. Por esse motivo, desde sua criação,
o Instituto "e" vem promovendo parcerias e estreitando
laços com os principais agentes do setor, como, por exemplo,
a Associação Brasileira da Indústria Têxtil
e de Confecção (Abit) e a Associação
Brasileira de Estilistas (Abest). Prova de que nasceu de braços
dados com o mercado, ele foi fundado e é presidido pelo estilista
e diretor de criação da marca Osklen, Oskar Metsavaht,
um entusiasta do potencial de mercado dos materiais ecologicamente
sustentáveis que usa sua rede de lojas como vitrine. "A
aceitação tem sido enorme. São os produtos
que mais fazem sucesso", garante Justo.
De acordo com Metsavaht, o mercado brasileiro precisa de estímulo
para atingir um estágio mais aprofundado de compromisso com
a sustentabilidade. E o SPFW ajuda na medida em que dispõe
de credibilidade e influencia mudanças. "Conhecendo
meu trabalho e percebendo a experiência que eu já tinha
com o instituto, construímos juntos o conceito de sustentabilidade
do SPFW", afirma. A entidade convidou 11 estilistas, entre
eles o próprio Metsavaht, para criar modelos usando alguns
tecidos desenvolvidos pelo instituto. As roupas ficaram expostas
nos corredores da Bienal, com explicações sobre o
processo de fabricação dos tecidos.
Além de pesquisar alternativas para a produção
têxtil, o Instituto e trabalha principalmente junto aos fornecedores
e às indústrias, apresentando maneiras para transformar
o processo produtivo de modo que resulte no menor impacto possível
para o meio ambiente. Na outra ponta da cadeia, com o objetivo de
gerar demanda e conscientização, a instituição
criou o selo e-fabrics, que acaba de ser lançado para garantir
ao consumidor que determinadas roupas atendem a critérios
de sustentabilidade, tanto sociais quanto ecológicos. "É
um selo de credibilidade para a sociedade. Não é certificador,
mas um label para que as pessoas compreendam. Temos de saber o que
está por trás do que estamos comprando. Se existe
um produto que sabemos que destrói a natureza, não
podemos comprá-lo, por mais que seja desejável",
explica Metsavaht.
A maior aposta do Instituto "e" está
relacionada ao potencial de mercado dos tecidos especiais. Até
agora, destaca Justo, eles vêm se mostrando promissores tanto
em relação ao material usado na confecção
da Osklen quanto nas parcerias feitas com indústrias do setor.
Justo explica o otimismo. "É uma tendência, uma
necessidade do planeta fazer essa transformação. Já
existem países que exigem produtos certificados nas importações.
Tenho certeza de que há mercado tanto no Brasil quanto, principalmente,
no exterior", defende. Para o executivo, as empresas têxteis
estão cada dia mais sensíveis para a importância
de tornar seus negócios sustentáveis, e por isso,
no futuro, a falta do componente de sustentabilidade poderá
ser um fator limitante para a expansão em mercados crescentemente
competitivos. "Esse movimento não vai acontecer do dia
para a noite, mas o nosso papel é justamente impactar o mercado
com essa nova visão de negócio", diz o executivo.
Na prática, segundo Justo, os tecidos desenvolvidos
pela organização podem ou não ser mais caros
do que os convencionais, dependendo da forma como são produzidos.
A economia de energia e de recursos, por exemplo, é um fator
que reduz o custo produtivo. Por outro lado, a produção
em pequena escala, atendendo a um público seleto, encarece
a roupa. Com o interesse crescente do mercado e do consumidor, Justo
prevê, no entanto, o gradativo aumento da produção
e, por conseqüência, a queda dos preços. Ainda
assim, acredita que existam compradores disposto a pagar o preço
inicial mais alto decorrente do valor socialmente responsável.
"Mesmo que tenha um custo maior, o valor agregado é
percebido pelo consumidor final, por ser um produto que respeita
certos critérios. Este é, portanto, um bom negócio",
assegura.
Para Metsavaht, há, no momento, uma convergência
de esforços e experiências para criar algo novo e consistente
no mercado da moda. "Acho que a preocupação sustentável
é a grande tendência da moda. Tudo está por
se fazer. Nem as marcas nem os próprios projetos sustentáveis,
as indústrias ou a sociedade estão devidamente preparados
para o tema. Mas existe a tendência. E o consumidor demonstra
vontade de aprender e valorizar a sustentabilidade", explica.
O próximo passo na consolidação
do Instituto "e" é, segundo Justo, refinar os critérios
de sustentabilidade dos tecidos, com o apoio de organizações
especializadas como o WWF e os institutos Socioambiental e Akatu.
O maior desafio, acredita, está em provar para o mercado
que os novos tecidos são, "mais do que uma alternativa,
uma necessidade para o futuro". Desenvolvimento sustentável
está na moda. E Metsavaht, como estilista, faz sua previsão
pessoal sobre as tendências da próxima estação.
"Não vai poder faltar uma peça de desenvolvimento
sustentável no guarda-roupa. Isso é uma forma de sermos
ativistas e transformadores. Mas o que não pode ter são
roupas de fábricas que despejam dejetos químicos nos
solos e nos rios", sentencia.
(Gazeta
Mercantil)
|
|
Empresas brasileiras criam
pacto contra corrupção |
|
|
Governo precisa incentivar
práticas sociais |
|
|
Empresas conhecem a teoria
da atuação social. Falta a prática |
|
|
BID vai treinar 120 empresas
em responsabilidade social |
|
|
Doação não chega, mas ninguém
acompanha processo |
|
|
Terceiro setor cresce e emprega
cada vez mais |
|
|
Gestão é maior desafio do
terceiro setor |
|
|
Terceiro setor é segmento
que mais cresce no Brasil |
|
|
Fórum discute ações
de empresas para cumprimento das Oito Metas do Milênio |
|
|
Unicsul oferece consultoria
gratuita para organizações sociais |
|
|
Vendas pela Internet ajudam
a alavancar ações de comércio justo
no Brasil |
|
|
Projeto leva jovens de baixa
renda para a cozinha |
|
|
Papel de voluntários
é fundamental em grupos de apoio |
|
|
Análise pode indicar
retorno financeiro de ações sociais |
|
|
Terceiro setor é disputado
por executivos de empresas |
|
|
Inovar
é a chave para empreendimento social |
|
|
Portal
RISolidaria tem balcão de empregos e estágios
no Terceiro Setor |
|
|
Maior
parte das ONGs vive à custa de dinheiro público |
|
|
Gerar
renda pela reciclagem não é suficiente
como ação social |
|
|
Estágio
social ganha espaço no mercado |
|
|
Líderes
do futuro devem criar ambientes horizontais de gestão |
|
|
Empresas
devem se unir para desenvolvimento local |
|
|