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Terceiro Setor ainda mais responsável

O setor de responsabilidade social está caminhando para ficar ainda mais responsável. A rota para atingir suas novas metas passa pela aplicação de teorias e técnicas de governança corporativa, que permite tornar as ações das empresas do terceiro setor estão mais transparentes e democráticas.

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Por ONGs mais transparentes e muito mais responsáveis

O setor de responsabilidade social está caminhando para ficar ainda mais responsável. A rota para atingir suas novas metas passa pela aplicação de teorias e técnicas de governança corporativa, que permite tornar as ações das empresas do terceiro setor mais transparentes e democráticas. No Brasil, o Ceats (Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor), ligado à FIA/USP, acaba de lançar um módulo de disciplinas, cujo conteúdo é totalmente voltado à aplicação da governança corporativa para as entidades de responsabilidade social. "Para que essa estratégia funcione adequadamente é preciso ter profissionais muito bem instrumentalizados", afirma Rosa Maria Fischer, professora da Faculdade de Economia e Administração da USP e coordenadora do Ceats.

A governança corporativa é uma estratégia nova e vem ganhando força em organizações complexas, que oferecem produtos com impacto na sociedade. O papel principal dessa estratégia é o de criar estruturas de gestão que fiscalizem a atuação das empresas e façam com que as informações circulem e as ações sigam padrões. "Percebemos que apenas os órgãos de fiscalização oficiais são insuficientes", diz a coordenadora do Ceats, instituição que desenvolve e ministra disciplinas sobre o terceiro setor e cidadania empresarial para os cursos de graduação, pós-graduação e MBA em administração. "Essa é uma inovação no Brasil, onde não se falava em governança corporativa nem em empresas lucrativas, quanto mais no terceiro setor", comenta a coordenadora do centro.

No setor produtivo, escândalos como o da Enron, nos Estados Unidos, e da Parmalat, na Itália e no Brasil, deram um impulso para a aplicação da governança corporativa de forma generalizada. Tanto no terceiro setor como no comércio e na indústria, a tendência das empresas é criar um organograma com gestores capacitados para prestar contas a um conselho de orientação estratégica com um perfil mais atuante do que os conselhos deliberativos que, segundo Rosa Maria Fischer, sempre funcionaram de forma artificial.

"As transformações do mundo corporativo nos últimos anos provocaram uma grande reavaliação dos conceitos e dos paradigmas da administração. E esse fenômeno exige um maior esforço de reflexão por parte do gestor, principalmente o que está envolvido com projetos sociais. Em um país como o Brasil, o debate dessa questão torna-se crucial", afirma.

Nessa nova ordem dos conselhos de orientação, a função principal é ter a capacidade técnica de montar as diretrizes da empresa e ter mecanismos de intervenção na área executiva. "No terceiro setor, essa fiscalização é fundamental. A maioria das entidades filantrópicas trabalha com recursos públicos e doações. Nesse caso, a transparência é ponto-chave. O conselho de orientação passa a ter um papel de auditor interno", comenta a professora.

De acordo com Rosa Maria Fischer, também é importante que atividades de treinamento e capacitação de gestores sejam realizadas para aprimorar o conhecimento e as competências de profissionais, aproximando-os de segmentos sociais não vinculados diretamente à universidade da dimensão social. "O novo modelo econômico, mais liberal, deixou as organizações com maior exposição. A globalização tornou inviável um modelo de gestão que não se submete à avaliação da sociedade. Não se pode mais dizer: ´essa empresa é minha e eu faço o que eu quero´", analisa a professora. Para ela, a governança corporativa tem de assegurar a fé nas empresas, eliminando os modelos exploratórios, cheios de abertura para fraudes e corrupções.

Segundo Roberto Waack, diretor-executivo da holding Grupo Orsa, não basta apenas ter um conselho de orientação bem-estruturado. Para ele, todos os executivos e gestores têm de estar mais instrumentalizados com as ferramentas necessárias para informar os conselheiros. "Os gestores têm de ser muito precisos no fornecimento das informações, pois os conselheiros são pessoas com muitas atividades e têm de estar a par de todo o funcionamento da empresa. O ganho é que temos conselheiros mais aparelhados e, portanto, com mais poder de decisão", avalia Waack, que também é responsável pela Fundação Orsa, entidade com orçamento de aproximadamente R$ 10 milhões e que há três anos implementou a governança corporativa, seguindo as outras empresas do grupo.

Nos Estados Unidos, a principal tecnologia da governança corporativa é chamada de "accountability", ou seja, uma forma estruturada de atualização das informações de forma que a qualquer tempo e com absoluta fidedignidade, elas estejam disponíveis e sejam auto-explicativas aos conselheiros. Por esse motivo, a criação de cursos de especialização na área, segundo Waack, é muito bem-vinda, pois o terceiro setor está em pleno crescimento e as entidades estão buscando no mundo corporativo profissionais com nível de capacitação para o desenvolvimento das ações das instituições. "Cada vez mais precisamos de profissionais competentes nessa área", observa o diretor do grupo Orsa.

A Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) também adotou a governança corporativa para se tornar mais eficaz. As instâncias do organograma se formam da seguinte forma: o conselho de administração elege uma diretoria com mandato de três anos. Cada diretor fica responsável por um departamento da entidade e devem cumprir metas, seguir padrões de qualidade dos atendimentos e orçamento financeiro. "Hoje a entidade possui uma previsão orçamentária até 2006, que é analisada e aprovada anualmente pelos conselhos de administração e o fiscal. São estabelecidos padrões administrativos dentro da maior profissionalização possível", afirma Alex Chafic Maluf diretor presidente da AACD.

O diretor presidente da AACD avalia que o terceiro setor tem hoje um papel fundamental no desenvolvimento do país e tem absorvido uma grande parte dos serviços que os órgãos públicos não têm podido resolver sozinhos. "Os profissionais estão bem mais preparados para prestação destes serviços. Na AACD, temos investidos muito em treinamentos dos nossos profissionais, com participações em congressos, cursos de especialização, pós-graduação, MBA, visitas a outros entidades no Brasil e exterior e principalmente trazendo profissionais do exterior para ministrarem cursos e palestras aos nossos funcionários", conta Maluf.

O resultado não poderia ser melhor. Nos últimos anos a AACD recebeu vários prêmios, como o Top Hospitalar, o Bem Eficiente, Marketing Best Responsabilidade Social e Marketing Best do Século.

Para Ana Maria Diniz, presidente do Instituto Pão de Açúcar (com orçamento de R$ 12 milhões, em 2003), a implementação da governança corporativa permite que os projetos de responsabilidade social sejam administrados como qualquer outra empresa. "Estamos profissionalizando o setor", explica.

A experiência do Instituto Pão de Açúcar é nova. O conselho de orientação estratégica foi montado no fim do primeiro semestre de 2003, seguindo o modelo já aplicado no Grupo Pão de Açúcar. "A tendência de ter uma equipe com instrumental de governança corporativa é fundamental, pois o terceiro setor ainda é novo e está todo mundo perdido sobre a quem atribuir as decisões de responsabilidade social. Por isso, temos de procurar ter o máximo de responsabilidade ", conclui Ana Maria Diniz.

(Valor Econômico – 09/02/04)

   
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