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Terceiro setor abre novas frentes de trabalho
Segundo de um
estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada),
quase 60% das empresas brasileiras já desenvolvem, de alguma
forma, ações em benefício da comunidade. O
valor aplicado pelas empresas em projetos sociais já chega
a R$ 5 bilhões, e investimentos como esses estão expandindo
o mercado de trabalho dentro do terceiro setor.
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mais:
Terceiro setor abre novas frentes de trabalho
Quase 60% das
empresas brasileiras já desenvolvem, de alguma forma, ações
em benefício da comunidade, segundo um estudo feito pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O valor aplicado
pelas empresas em projetos sociais já chega a R$ 5 bilhões.
Esses investimentos estão expandindo o mercado de trabalho
no chamado terceiro setor.
O diretor de
Recursos Humanos e Assuntos Corporativos da Nestlé, Carlos
Roberto Faccina, ressalta que os profissionais já estão
descobrindo a importância desse novo mercado. "Há
vinte anos, quando comecei a desenvolver planos de marketing institucional,
não conseguia arrastar ninguém do marketing convencional
para minha equipe", diz ele.
"Hoje,
tenho uma fila de interessados na minha porta", acrescenta
o diretor da empresa. "A viagem da Nestlé pela literatura",
diz Faccina, já envolve 200 professores e 8 mil alunos.
Com o mesmo
objetivo, a Microsoft tem oferecido a governos e instituições
educacionais software a preços com descontos especiais ou
mesmo gratuitamente. Segundo o diretor de Marketing, Luiz Marcelo
Marrey Moncau, 150 favelas brasileiras já receberam material
gratuito e o objetivo é alcançar 10 mil escolas do
País. O que abrirá espaço para vários
profissionais que atuam na área e com experiência em
educação.
"Muitas
empresas investem neste campo, transferindo as verbas de marketing
empresarial para projetos comunitários, ambientais, esportivos
e culturais, com o objetivo de associarem suas marcas a ações
de interesse público", explica o presidente-fundador
da Articultura, agência de marketing cultural, Yacoff Sarkovas.
Segundo o International
Event Group (IEG), em 2001, o volume de patrocínio em comunicação
por atitude movimentou mundialmente US$ 23,6 bilhões, distribuídos
da seguinte maneira: US$ 9,3 bilhões na América do
Norte, US$ 6,9 bilhões na Europa, US$ 4,1 bilhões
no Pacífico, US$ 2 bilhões na América do Sul
e Central, e US$ 1,3 bilhão nas demais regiões. "O
patrocínio é uma relação de negócio
regida pelo equilíbrio entre o custo e o benefício
da ação".
Portanto, investimentos
desse porte requerem planejamento, em busca de resultados. Segundo
o consultor, para mensurar o retorno em atividades sociais, as empresas
estão adotando ferramentas de gestão típicas
do dia-a-dia corporativo. Como exemplo, ele cita que dos 48 associados
do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas)
73% elaboraram planos estratégicos para nortear sua atuação,
87% algum tipo de monitoramento dos projetos e 92% submeteram o
orçamento a avaliações de resultado.
"Com atitude,
uma marca expressa seu estilo, seus atributos, seus compromissos",
destaca o presidente da Articultura, empresa que formula estratégias
de patrocínio para projetos culturais, ambientais, sociais
e esportivos. Para ele, a atitude mais apreciada pelo brasileiro
hoje é a "concretude", ou seja, a coerência
entre o que se fala e o que se faz.
Assim, a comunicação
por atitude tem sido impulsionada pela expansão do senso
de responsabilidade social e também, segundo Sarkovas, pelo
desgaste da publicidade convencional, que requer canais diferenciados
e segmentados de envolvimento com o público. O publicitário
Celso Loducca concorda, mas ressalta que ainda há procura
pelas formas tradicionais de divulgação. "As
agências entendem a importância deste tipo de ação,
mas que nem sempre interessam o cliente".
O presidente
da DAS Promoções, João de Simoni Soderini Ferraciú,
aposta na competência profissional para cuidar dessa área,
não necessariamente numa agência especializada. "Às
vezes o maestro está nas próprias empresas patrocinadoras",
afirma Ferraciú. O estudo do Ipea revela que 76% das empresas
declararam realizar atividades sociais por razões humanitárias,
62% delas dirigidas ao segmento infantil. Esse é o foco da
Nestlé e da Microsoft e que abre novas oportunidades de trabalho.
(O Estado
de S. Paulo - 09/06/03)
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