|
Ética é pré-requisito para investidores de
fundo de pensão
De acordo com
a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de
Previdência Privada (Abrap), investidores de fundos de pensão
querem definitivamente adotar postura socialmente responsável
na hora de aplicar seus recursos. O grau de responsabilidade desejado
deve estar tanto no investimento quanto na empresa que receberá
o recurso.
Leia
mais:
Investimentos pautados pela ética
Os fundos de
pensão querem pautar sua postura e seus investimentos pela
ética e a responsabilidade social. Esse foi o tema de seminário
realizado dia 08/09, no Rio, pela Associação Brasileira
das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp). Os
investimentos socialmente responsáveis (IRS) já são
uma marca de grandes fundos de pensão estrangeiros (como
o Calpers, dos Estados Unidos) e a intenção é
repetir um modelo semelhante no Brasil.
De acordo com
o presidente da Abrapp, Fernando Pimentel, a intenção
é, não só utilizar o grau de responsabilidade
social na hora de escolher empresas para investir como também
colocar a ética como norte das condutas da Abrapp e dos investimentos
feitos em outros mercados. Hoje, os fundos somam um patrimônio
de quase R$ 200 bilhões.
"Firmamos
convênio com o Instituto Ethos, com a Andima e vamos procurar
também a Bovespa, o objetivo é estabelecer códigos
de ética para a atuação nos mercados",
disse Pimentel. Segundo ele, esse cuidado com a responsabilidade
social também será transmitido às empresas
por meio dos conselheiros dos fundos de pensão nas empresas.
"Também
queremos elaborar um ranking que vai analisar as empresas de acordo
com seu grau de responsabilidade social", afirmou o presidente.
Ele esclareceu que esse ranking será feito em parceria com
o Ethos pela própria Abrapp.
Hoje, já
existe um trabalho semelhante feito pelo Real ABN Amro, cujo fundo,
Ethical, é o único a investir exclusivamente em empresas
responsáveis socialmente. Os critérios de IRS consistem
em avaliar o grau de ética e justiça da empresa no
relacionamento com funcionários, sociedade, comunidade, meio
ambiente, fornecedores e investidores.
O presidente
da Previ (maior fundo de pensão do país), Sérgio
Rosa, ressaltou que a rentabilidade e os ganhos para os participantes
não deixaram de ser o norte da política de investimentos
das fundações, mas esclareceu que também é
possível combinar ganhos com a postura socialmente responsável.
"Não
é mais possível admitir ilhas de excelência
em alguns setores, isso compromete o futuro do país e a qualidade
de vida dos trabalhadores. Por isso, cada vez mais setores da sociedade
começam a compreender que não se pode mais empurrar
a responsabilidade um para o outro", disse Rosa.
O seminário
contou ainda com a participação dos presidentes da
Petros, Wagner Pinheiro; da Funcef, Guilherme de Lacerda; e do Sindapp,
José de Souza Teixeira.
Uma das grandes
preocupações dos dirigentes dos fundos é deixar
claro que os critérios se IRS serão combinados com
a preocupação com os ganhos e o equilíbrio
atuarial dos fundos. "O tripé rentabilidade, liquidez
e segurança continua sendo a principal preocupação",
garantiu o presidente da Abrapp.
(Valor Econômico
– 09/09/03)
|