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ONGs
querem dar nota a projetos de desenvolvimento limpo realizados no
Brasil
As organizações
não-governamentais brasileiras vão dar uma "nota"
para os projetos nacionais que pretendem gerar créditos de
redução de emissões de gás carbônico
no âmbito do Protocolo de Kyoto. A proposta foi apresentada
ontem (09/05) em São Paulo, durante o lançamento público
do Observatório do Clima, uma rede de 26 ONGs criada para
monitorar a participação do Brasil no debate sobre
mudanças climáticas.
Segundo Mario
Monzoni, da organização Amigos da Terra Amazônia
Brasileira, as ONGs elaborarão índices de sustentabilidade
aplicáveis a projetos que queiram negociar no mercado global
de carbono criado pelo MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo),
um dos instrumentos do acordo de Kyoto para que os países
industrializados cumpram suas metas de redução de
emissões - e ao mesmo tempo, ajudem os países pobres
a se desenvolver com o mínimo de impacto ao planeta.
Pelas regras
do MDL, os países ricos podem abater emissões da sua
conta investindo, por exemplo, num projeto de plantação
de florestas para sequestro de carbono no Brasil. A idéia
do Observatório do Clima é fixar critérios
mínimos de sustentabilidade (econômica, ambiental e
social) que tornem projetos desse tipo elegíveis ou não
para o mercado global de carbono.
"Vamos
estabelecer uma nota de corte. Quem ficar abaixo dela estará
fora", disse Monzoni. Se um projeto satisfaz, por exemplo,
o critério de viabilidade econômica, mas falha em gerar
renda para a população do local onde será instalado,
ele é reprovado pelo índice das ONGs.
O observatório
também irá analisar o papel das florestas nas mudanças
climáticas, trazendo de volta a questão do desmatamento
evitado na Amazônia como forma de gerar créditos-carbono
-algo que o governo brasileiro não quer e que nem entre as
ONGs é consenso.
"O desmatamento
na Amazônia responde por 40% do total de emissões de
carbono que Kyoto quer reduzir", afirmou Márcio Santilli,
do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). "Isso
anula todo o esforço de cooperação internacional
de Kyoto".
(Folha de
S. Paulo - 10/05/02)
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