Entidades criam bolsa de ações responsáveis

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) assinaram um acordo para a criação de uma Bolsa de Ações Sociais. A idéia do projeto é atrair investimentos de pequenas e médias empresas para projetos sociais que lhes serão apresentados pela nova instituição.

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Entidades criam bolsa de ações responsáveis

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) assinaram um acordo para a criação de uma Bolsa de Ações Sociais. A idéia do projeto é atrair investimentos (com incentivo fiscal ou não) de pequenas e médias empresas para projetos sociais que lhes serão apresentados pela nova instituição. A Bolsa de Ações começará a operar dentro de seis meses.

Nesse período, a FGV desenvolverá índices para selecionar projetos e elaborar balanços sociais. "A FGV quer colocar o assunto em bases técnicas. Vamos criar índices para mensurar os esforços do setor privado na área social. Temos que mostrar aos Estados como os incentivos fiscais estão sendo usados", diz o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen.

A responsável pela estruturação e gestão da Bolsa será a empresa de marketing cultural e social CENA Brasileira. Mas a FGV e a CACB formarão um conselho de notáveis para ajudar a selecionar e acompanhar o desenvolvimento dos projetos.

A executiva Gilda Pessoa, que trabalha na criação da Bolsa, explica que o primeiro passo será a realização de um seminário no Rio, em abril, para apresentá-la para as empresas. No segundo semestre, ela pretende ter projetos já aprovados e abertos para investimento do setor privado. "Queremos interiorizar a ação social. Todos os projetos serão auditados. Estamos construindo um mecanismo de incentivo que tem transparência. As empresas saberão os resultados dos recursos aplicados", afirma.

Entre os incentivos que poderão ser usados pelas empresas estão os descontos de até 4% do Imposto de Renda devido, previsto na Lei Rouanet. Cada um dos 27 Estados brasileiros tem também regras específicas para uso do ICMS devido. "As associações comerciais existem em mais de 2 mil municípios, com 2 milhões de empresários associados. E 80% delas são micro e pequenas empresas, que nem sabem que têm incentivos para aplicar na áreas social", diz o presidente da CACB, Luiz Otávio Gomes.

Na avaliação da CACB, o custo inicial de criação da Bolsa será de cerca de R$ 1 milhão. A confederação entrará com os recursos e a FGV com a parte logística. Inicialmente a Bolsa ficará sediada no prédio da fundação, no Rio. A expectativa da CACB é que a Bolsa seja auto-sustentável em 24 meses.

Quando começar a funcionar, a Bolsa receberá e aplicará 10% de todas as doações para analisar e acompanhar os projetos com os quais as empresas se comprometerem. Ele explica que os gastos com análise e acompanhamento de projetos sociais, culturais e esportivos acabam afugentando pequenas empresas e impedindo que aproveitem os benefícios fiscais oferecidos.

(Valor - 13/02/03)

   
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