Da sala de aula para as ONGs

A Ibmec Jr. Consulting, empresa de consultoria formada por alunos de graduação da escola de negócios Ibmec, de São Paulo, está dando assessoria para ONGs profissionalizarem sua gestão. As chamadas empresas júniores são constituídas por universitários que normalmente prestam serviços de forma profissional para empresas.

'A maior parte das ONGs têm deficiências na estrutura de captação de recursos e também na comunicação, na maneira de transmitir seus valores', diz João Pedro Santos, presidente da Ibmec Jr Consulting e aluno do sexto semestre de Economia.

'Nosso trabalho é auxiliá-las com noções de gestão, para que sua atuação social seja fortalecida', completa Giuliana Pucci de Souza, gerente de Responsabilidade Social da empresa júnior e aluna do quinto semestre de Administração de Empresas.

A cada semestre, uma entidade não-governamental é escolhida para receber o apoio da consultoria, que é prestada em caráter voluntário. Este ano, a entidade escolhida foi a Associação Brasileira das Pessoas com Hemangiomas e Linfangiomas (Apraphel), que atende portadores de anomalias vasculares.

'São escolhidas entidades que estão começando suas atividades, mas que estejam legalmente constituídas', explica Santos. 'Procuramos ONGs com potencial de crescimento.'

O trabalho traz uma nova visão para os futuros executivos, na avaliação do professor de sociologia Carlos Melo, um dos coordenadores da Ibmec Jr. Consulting. 'O trabalho ajuda os futuros profissionais, a maioria garotos da elite brasileira, a terem um olhar diferente sobre as questões sociais', diz. 'E também atende a uma realidade do próprio mercado, já que cada vez mais as empresas estão contratando executivos dotados de conhecimento social. Eles podem atuar nos departamentos de responsabilidade social e nas fundações empresariais.'

A estrutura de financiamento da consultoria para as ONGs foi igualmente criado pelos alunos. Os recursos necessários vêm de um fundo específico, alimentado com a renda obtida a partir de outros trabalhos da consultoria júnior, como estudos de viabilidade, análises financeiras e planos de marketing. Iniciativas de cunho solidário realizadas dentro da faculdade, como trotes sociais, também revertem recursos para o fundo.

A idéia de prestar know-how em gestão empresarial para entidades sociais não é inédita no Brasil. Desde 1999 a filial brasileira da consultoria americana McKinsey & Co. vem realizando esse trabalho com ONGs brasileiras, por meio de uma parceria com a Ashoka Empreendedores Sociais, organização internacional que trabalha nesse campo.

De lá pra cá, cerca de 500 instituições no Brasil já passaram por treinamentos - 1,6 mil em toda a América do Sul - e incorporaram ao seu dia-a-dia ferramentas como o plano de negócios. 'As características do empreendedor social são muito semelhantes às do empreendedor de negócios. Eles têm em comum boas idéias e a necessidade de sustentar seu projeto', diz Tania de Falco, diretora de parcerias estratégicas da Ashoka no Brasil.

A entidade já conseguiu medir o impacto da parceria. De um universo de 89 ONGs, 62% conseguiram aumentar receitas após implementar planos de negócios; e 43% conseguiram estender o alcance de suas atividades após os treinamentos.

O Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), ONG dedicada à proteção ambiental, fechou parcerias com empresas como Natura e Alpargatas, após adotar as ferramentas de gestão.

(O Estado de S. Paulo)

   
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