Grupos criam instituto para atuar como incubadora de projetos sociais

Criado pela associação de cinco sócios-fundadores - Promon, Mckinsey, Gradiente, Instituto Camargo Corrêa e Gerdau -, o Instituto Razão Social vai funcionar como uma incubadora de projetos sociais. O objetivo é capacitar professores de primeiro e segundo grau de escolas públicas para melhorar a qualidade de ensino.

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Grupos criam instituto para atuar como incubadora de projetos sociais

AsVenture Capital, incubadoras de projetos que recentemente fizeram sucesso na área de Internet, estão chegando à área de responsabilidade social com o mesmo conceito, mas outro nome: Venture Philanthropy.

É dessa forma que pretende atuar o Instituto Razão Social. Criado pela associação de cinco sócios-fundadores - Promon, Mckinsey, Gradiente, Instituto Camargo Corrêa e Gerdau - o instituto vai funcionar como uma incubadora de projetos sociais.

O Razão Social vai atuar na capacitação de professores de primeiro e segundo grau de escolas públicas, para melhorar a qualidade de ensino. Para isso, o instituto vai selecionar propostas de projetos que atendam ao escopo definido pelos sócios-fundadores e captar recursos junto a empresas e fundos que queiram investir em projetos sociais.

Carlos Siffert, sócio-diretor da Promon e porta-voz do Instituto Razão Social, afirma que apesar do aumento do número de crianças na escola - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 97% das crianças em idade escolar estão matriculadas no ensino fundamental - os indicadores mostram uma sensível piora na qualidade de ensino. Por isso decidiu-se investir nessa área.

A escolha do professor como alvo dos recursos também teve um motivo claro: "ele é um multiplicador, pode agir diretamente sobre mais de 1 mil alunos durante sua carreira, mas indiretamente afeta a vida de muito mais gente", avalia José Carlos Muller, diretor do Instituto Camargo Corrêa.

Cada sócio-fundador deve investir no Instituto já este ano R$ 50 mil para manter sua estrutura gerencial. A partir de 2003, as empresas vão aplicar R$ 200 mil cada uma, totalizando um orçamento de R$ 1 milhão. Segundo Siffert, a meta do instituto é captar e administrar recursos entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões, que poderão sustentar entre 10 e 12 projetos. Esse objetivo deve ser alcançado dentro de dois anos. A estratégia de arrecadação será procurar empresas que tenham interesse em fazer investimentos em educação, mas não tenham equipe ou experiência de atuação em responsabilidade social, preferindo apoiar projetos de terceiros.

Apesar do grande orçamento, o instituto não vai aplicar em projetos próprios, mas selecionar propostas e financiá-las. "Vamos dar apoio em gestão, tecnologia, marketing e captação de recursos", diz Siffert.

Para concretizar o projeto, o instituto vai ainda precisar buscar parceiros e investidores. A IBM e Guimarães Profissionais de Comunicação e Marketing são dois desses parceiros que vão ajudar nos projetos aproveitando as experiências em suas áreas específicas.

O Razão Social também está perto de encontrar seu primeiro investidor: funcionários dos sócios-fundadores estão se reunindo para formar um fundo que vai receber doações de pessoas físicas que serão investidas nos projetos.

(Valor - 17/07/02)