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Mobilização voluntária aumenta ganhos nas empresas

Trabalho voluntário não é sinônimo de trabalho amador. Quem se dedica a uma causa social desenvolve competências, adquire capacitação, amplia a rede de conhecimentos. Não raro reinventa a própria profissão. Quando o voluntariado é cultivado no ambiente das empresas, os ganhos se multiplicam.

Leia mais:
- Mobilização voluntária aumenta ganhos nas empresas
- Voluntariado ganha espaço em empresas e conquista cidadãos

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mobilização voluntária

Trabalho voluntário não é sinônimo de trabalho amador. Quem se dedica a uma causa social desenvolve competências, adquire capacitação, amplia a rede de conhecimentos. Não raro reinventa a própria profissão. Quando o voluntariado é cultivado no ambiente das empresas, os ganhos se multiplicam. Profissionais levam suas ferramentas de gestão às organizações sociais, que se capacitam a receber mais e aplicar melhor os recursos. As corporações, por sua vez, ganham transparência, reconhecimento, funcionários orgulhosos e motivados.

Por conta da atividade voluntária, a Alcoa acusou uma sensível e imediata melhora nas relações entre os funcionários. A razão foi o programa Bravo, instituído pela Alcoa Foundation em 2002. "A cada 50 horas dedicadas a alguma entidade social, em horário de lazer, o funcionário recebe um cheque de US$ 250 para doar à instituição que escolher", diz Suzana Sheffield, vice-presidente do Instituto Alcoa, resumindo o programa.

O Bravo está presente nas 123 localidades do mundo onde a Alcoa atua, mas a filial do Brasil arrebata 45% de todo o aporte mundial. Suzana enumera razões para isso: brasileiros são mais criativos, mais flexíveis e voluntários por vocação. "A empresa tinha conhecimento de que, pelo menos, 20% do contingente já praticavam o voluntariado", diz ela. "Quando recebemos os formulários, constatamos a pré-disposição efetiva de 40% dos sete mil funcionários".

O voluntariado é uma prática que se cultiva no Brasil desde o século 16. O modelo mais antigo é o das Santas Casas de Misericórdia, trazido pelos portugueses, e tinha como foco a assistência às pessoas carentes. A prática da filantropia sofreu grandes transformações nas últimas décadas. Até os anos 1960, com raras exceções, o voluntariado era exercido pelas chamadas damas de caridade. "Em geral era uma mulher de destaque na sociedade, que usava seu prestígio para arrebanhar voluntárias que se reuniam para tomar chá em fins da tarde e, no final, traçavam ações pontuais", diz Telma Sobolh, presidente das voluntárias do Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis.

Nos dez últimos anos, com o agravamento dos problemas sociais e o enfraquecimento do Estado em relação às políticas públicas, a sociedade passou a participar mais ativamente dos processos. Há pouco mais de cinco anos, as empresas também começaram a se organizar e a levar, por meio de seus funcionários, conceitos de gestão para o terceiro setor. "O voluntariado empresarial é responsável em grande parte pela profissionalização da área social", atesta a consultora Ruth Goldberg.

Os funcionários que se organizam em torno de alguma ação social obtêm ganhos pessoais. Além de se alinhar a uma causa que dá status e orgulho, Ruth enumera outras vantagens: "Voluntário se aproxima de pessoas interessantes, faz amigos, compartilha valores, aprende coisas novas e descobre novas oportunidades, inclusive de trabalho". Para a empresa, reforçar e incentivar o trabalho voluntário também faz a diferença: além de participar de uma causa social, motiva pessoas e alavanca o próprio negócio.

O voluntariado corporativo atua diretamente no conceito que o funcionário faz da própria empresa - o que, no fundo, segundo muitas organizações, é a melhor publicidade que uma empresa poderia querer. O nível de satisfação dos 2.600 funcionários brasileiros da American Express oscilava em torno dos 60% até a instituição do programa Global Volunteer, que incentiva e prestigia projetos sociais. "Com isso, o nível de satisfação subiu para 90%", diz Sheila Cohen Salles, executiva de vendas da empresa.

Sheila comanda um grupo que se dedica ao Grendacc (Grupo de Defesa de Crianças com Câncer em Jundiaí). O projeto já recebeu quatro vezes o Global Volunteer, que se traduz num cheque de US$ 1.500 que os voluntários doam à instituição. Os US$ 6 mil animaram os 40 participantes. "Ajudamos a construir o hospital, o primeiro especializado em oncologia em Jundiaí e região", diz Sheila. "A Amex foi até homenageada com uma placa no saguão do hospital."

Na Ripasa, o programa de incentivo ao voluntariado começou há três anos. Das primeiras 50 pessoas, hoje cerca de 20% dos 2.300 funcionários estão envolvidos com o voluntariado e nas mais diferentes atividades. "Temos desde contadores de histórias até doadores de sangue, grupos de humanização hospitalar, pessoal envolvido na recuperação de matas ciliares, instrutores de práticas esportivas", afirma Luciana Bueno, assessora de relações sociais da Ripasa.


O voluntariado na Ripasa é dividido em grupos comandados por um líder que canaliza as demandas das organizações sociais e as idéias dos colaboradores. "Em geral, o voluntário está tão afinado com a causa que a empresa apóia a sugestão sem restrições", diz Luciana. O resultado, além de favorecer a entidade, dá prestígio ao voluntário, que se vê como peça importante na organização social e na empresa. "O clima organizacional melhora, as pessoas têm a sensação de pertencer a um grupo e as relações ficam mais cordiais", constata Luciana.

Esses são os ingredientes de uma mudança maior, segundo a consultora Ruth Goldberg. "As empresas estão buscando caminhos próprios porque sabem que o voluntariado empresarial é uma política que veio para ficar", diz. "O voluntariado é uma das portas de entrada para o tema da responsabilidade social, a outra é o balanço social". O pessoal que se atira à causa também soma vantagens, segundo Ruth: "Esse tipo de profissional desenvolve a prática de pensar coletivamente, o que conta pontos na disputa pelo emprego e agrega valores importantes no caso do negócio próprio".

Como o voluntariado empresarial ainda é uma cultura em formação, cada corporação incentiva a prática à sua maneira. Na C&A, os funcionários são encarregados de garimpar organizações sociais nas 35 cidades onde a empresa está instalada. Dos 12 mil funcionários no Brasil, 2.200 participam de ações e estão encarregados de levar as demandas das entidades à empresa.

O projeto da organização social recebe suporte da empresa por dois anos, em média, segundo Paulo Castro, presidente do Instituto C&A. Uma das causas que ganhou autonomia é o Centro Social Brooklin Paulista, em São Paulo, onde 150 adolescentes entre 16 e 18 anos freqüentam cursos profissionalizantes e recebem educação para o trabalho.

"A atuação da empresa na entidade começou em 1998 e terminou em 2000", diz Paulo Castro. Os cursos são de costura industrial, técnica em padaria e técnica em estamparia, que continuam a ser ministrados até hoje, em parceria com o Senac, no contraturno da escola formal. Os voluntários da C&A participam da formação dos jovens ampliando seu próprio universo cultural.

O voluntariado pode ser exercido também pelo profissional liberal. Advogados, nutricionistas, médicos, fonoaudiólogas e outros profissionais que fazem seu trabalho solitariamente, no consultório, participam dessa ciranda. O pediatra José Ricardo de Mello Brandão é um deles. Ele faz parte do programa Adotei um Sorriso, da Abrinq e, há dois anos, atende oito crianças: quatro do Educandário São Domingos e outras quatro da Unibes. "São pacientes como quaisquer outros, com hora marcada e também podem me acionar em casos de emergência", diz Brandão.

Para esses pacientes atendidos por organizações sociais, entrar num consultório particular ainda é uma oportunidade inédita. Mas Brandão acredita que isso vai mudar quando seus colegas de profissão descobrirem o prazer de ser voluntário. "Fico muito feliz, quando as organizações convidam os voluntários para a festinha de final de ano e as crianças nos homenageiam lendo poesias, cantando e oferecendo um certificado".

(Valor Online – 17/12/03)

   

Voluntariado ganha espaço em empresas e conquista cidadãos

O novo padrão de voluntariado no Brasil é baseado na escolha e na motivação pessoal de cada cidadão. Substitui o assistencialismo pela promoção da cidadania, visa a transformação da comunidade, busca formas de inclusão social e procura criar uma sociedade mais responsável, justa e solidária.

A palavra voluntário, que no passado ecoava de uma maneira discreta, transformou-se hoje no sinônimo de cidadania ativa, na expressão de um desejo de Fazer Parte, de transformar a nossa realidade.

Nos últimos anos, esse novo conceito de voluntariado ganhou terreno nas empresas, conquistou o cidadão comum e está recebendo novos adeptos a cada dia, nos mais distintos extratos da sociedade: milhões de voluntários foram mobilizados, milhares de empresas assumiram sua responsabilidade social e houve uma multiplicação dos Centros de Voluntariado nas principais cidades do país, num movimento sem precedentes.

É considerada uma empresa socialmente responsável aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes - acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente - e, a partir desse conjunto de informações, concretiza suas ações e projetos sociais.

Definitivamente, estamos descobrindo nossa vocação social.

Ao olhar para o mundo corporativo, dentre suas atividades mais significativas, está o voluntariado empresarial, em que empresas e funcionários atuam em conjunto em projetos sociais.

Esse tipo de voluntariado favorece a convivência entre pessoas diferentes, permite o contato com novas formas de ser e de viver, alarga o conhecimento, além é claro, da grande satisfação de se sentir útil e reconhecido.

Para a implantação de um Programa de Voluntariado Empresarial é preciso que a empresa primeiro reflita sobre a sua cultura interna, seu clima organizacional, missão e responsabilidade social. Esse programa deve estar inserido na estratégia da empresa, respeitando a sua realidade e as necessidades da comunidade onde pretende atuar e das organizações sociais.

Hoje, graças a esse trabalho, o Brasil vive um momento histórico único em que a participação de voluntários e empresas surge como expressão do sentimento de mudança acompanhada de ação efetiva.

O combate à pobreza e a luta pela inclusão social é travado todos os dias, por voluntários de todo o país, cada um contribuindo com sua parte.

No entanto, ainda somos poucos para o muito que há para ser feito. A mobilização de novos voluntários, o fortalecimento de suas ações, o despontar de novas lideranças e a busca de caminhos alternativos que se colocam como desafios permanentes.

Acreditamos firmemente que o trabalho voluntário é fundamental para criar o Brasil dos nossos sonhos. Fortalecer a cultura e a prática do voluntariado significa promover a participação cidadã, para que cada brasileiro saiba que é parte importante na construção de uma nação socialmente mais justa.

(Valor Online – 17/12/03)

   
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