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Material reciclado traz lucro para as empresas
Empresas como
a Embraer estão aprendendo a usar a reciclagem não
só para preservar o meio ambiente como para ganhar dinheiro.
Quem visita a sede da companhia, em São José dos Campos,
percebe como a fabricante de aviões está reaproveitando
todo tipo de material. Em uma área destinada ao material
de reciclagem, há uma montanha de resíduos metálicos,
como limalhas de ferro e titânio. Ao lado, computadores antigos,
motores e compressores sem uso. Um tanque recebe óleos da
cozinha e outro, óleos industriais. Toneladas de lixo comum
(papel, plástico e espumas) são separados, prensados
e acondicionados em fardos.
Todo esse material
é encaminhado a empresas especializadas que o transformam
em vários produtos, de ração animal a combustível.
O aproveitamento de resíduos diversos rendeu à Embraer
uma receita adicional de US$ 6,6 milhões em 2006, um aumento
de 57,1% em relação ao ano anterior. 'Aqui, até
o papel toalha usado nos banheiros é reciclado', diz Luiz
Alberto Ladewig, gerente de suporte de serviços da Embraer.
Segundo o executivo,
a venda de resíduos existe na indústria desde meados
da década de 1980, quando a legislação ambiental
passou a vigorar no Brasil. De lá para cá, a indústria
aperfeiçoou seus processos, e passou a adotar também
a coleta seletiva para resíduos como papel, papelão
e plástico.
Resíduos
como a limalha de titânio, proveniente da fabricação
de turbinas de aeronaves, são nobres: paga-se R$ 45 por quilo
do material, dez vezes mais que outro resíduo nobre, o alumínio
(R$ 4,5 o quilo). O papel vale R$ 0,08 o quilo, mas é gerado
em volume na Embraer: 50 toneladas/mês. Resíduos perigosos,
como solventes, são encaminhados para a indústria
cimenteira, onde alimentam os alto fornos.
A Embraer já
consegue reciclar 79,6% dos resíduos que produz: foram 9,9
mil toneladas em 2006. Um índice considerado alto, em relação
ao destino que é comumente dado ao lixo: o Brasil só
recicla 11% dos resíduos sólidos urbanos, segundo
dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). 'Na Embraer,
o que não é reciclado é um lixo ainda difícil
de reaproveitar, como sobras de alimentos e papel higiênico.'
Na CST Arcelor
Brasil, o reaproveitamento dos resíduos do processo de produção
do aço rendeu US$ 41,6 milhões aos cofres da companhia
em 2007. A empresa é considerada referência em reaproveitamento
de resíduos no setor siderúrgico: recicla 95% dos
resíduos da produção de aço.
As sobras do
processo siderúrgico - lama, poeira, escória - são
usadas como matéria-prima em doze diferentes indústrias.
Servem para pavimentar estradas, na cerâmica, indústria
química e agricultura, na correção de acidez
do solo. Para garantir o uso correto dos resíduos nessas
aplicações, a CST firmou parcerias junto a universidades
e institutos de pesquisa. 'Foram R$ 2 milhões investidos
em pesquisa e desenvolvimento na área de co-produtos nos
último cinco anos. Não temos dúvida de que
esse investimento traz retorno', diz Luiz Antonio Rossi, gerente
de meio ambiente da CST.
Estima-se que
o comércio de resíduos industriais movimente em torno
de R$ 250 milhões por ano no Brasil, mas tem potencial para
chegar a R$ 1 bilhão por ano. Para estimular esse mercado,
há iniciativas em andamento. Uma delas é a Bolsa de
Resíduos Industriais da Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo). No site da Fiesp,
as empresas podem negociar 200 diferentes tipos de resíduos
industriais, de plástico a silicones industriais.
'O que é
lixo em uma empresa é matéria-prima em outra', diz
Nelson Pereira dos Reis, diretor de meio ambiente da Fiesp. São
2.000 empresas cadastradas, e cerca de 80% dos negócios são
realizados entre micro e pequenas empresas.
(O Estado
de S.Paulo)
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