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Alunos de pós-graduação fazem planos de negócio
para a comunidade
A união
de esforços entre uma organização não-governamental
- o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) - e uma instituição
de ensino - a Business School São Paulo (BSP) permitiu a
participação de 60 executivos na criação
de alternativas de sobrevivência para a população
de baixa renda da favela Real Parque - um aglomerado de pobreza
incrustado na região do Morumbi, em São Paulo.
Leia
mais:
O lucro "socializado" como premissa da ação
voluntária
A união
de esforços entre uma organização não-governamental
- o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) - e uma instituição
de ensino - a Business School São Paulo (BSP) permitiu a
participação de 60 executivos na criação
de alternativas de sobrevivência para a população
de baixa renda da favela Real Parque - um aglomerado de pobreza
incrustado na região do Morumbi, em São Paulo.
Como voluntários,
os alunos de pós-graduação da BSP elaboraram
seis planos de negócios voltados para a geração
de recursos financeiros para a manutenção do "Projeto
Casulo", desenvolvido pelo ICE. O projeto beneficiará
uma comunidade de 15 mil pessoas, com a construção
de um centro de cultura e esporte e de uma escola municipal de educação
infantil, uma obra com investimentos previstos de R$ 5,5 milhões
e que estará concluída até o dia 28 de fevereiro,
a tempo de atender 600 crianças, no início do ano
letivo.
A obra é
gerenciada pelo ICE - uma associação que reúne
36 empresários, entre industriais, banqueiros e controladores
de holdings - que tem, entre seus objetivos, emprestar à
ação social a visão pragmática do mundo
dos negócios, fazendo com que os projetos beneficentes tenham
também um resultado econômico, a ser revertido para
a comunidade, afirma a presidente da instituição,
Renata de Camargo Nascimento, integrante do Conselho de Administração
do grupo Camargo Correa. Além da intervenção
direta na comunidade, o ICE também tem como estratégia
a atuação em projetos de capacitação
executiva de outras 25 ONG's e do financiamento de manuais para
o terceiro setor, já publicados.
A BSP, por sua
vez, é uma das três mais respeitadas escolas de negócios
do Brasil, segundo a revista "The Economist", tendo como
alunos uma parcela representativa da elite gerencial brasileira.
Esta competência foi mobilizada na elaboração
de seis planos de negócios, dois quais dois foram selecionados,
por uma banca de notáveis, para implantação.
Uma das idéias
vencedoras é o Projeto Borboleta, que prevê a criação
de uma empresa de reciclagem de lixo, com geração
de 72 empregos para os moradores da favela e, já no segundo
ano de atividade, lucro de R$ 260 mil. Os autores do projeto são
os alunos-executivos-voluntários Ana Cecília Melo,
Aya Shimamura, Claudio Algranti, Francisco Freitas, Genilson Melo,
Maurice Ane Casagrande e Renata Diniz Schlesinger.O outro projeto
aprovado, "Construção Solidária",
prevê a montagem de uma usina de reciclagem de areia utilizada
na construção civil. A iniciativa empregará
20 pessoas a cada ano e terá como vantagem ambiental a redução
do lançamento clandestino de entulhos em áreas públicas.
Os autores: Adriana Baraldi, Adriana Martinez Guimarães,
Eduardo Augusto Gomes, Eduardo Negri de Farias, Jorge Luiz Durgante
Pasquotto, Leonardo Miranda, Márcia M. Souza, Marco Antônio
de Almeida Filho, Priscila Ritt, Sérgio Cirelli ângulo
e Sílvia Selmo.
Segundo o reitor
da BSP, Wolfgang Schoeps, a participação da escola
justifica-se pela necessidade de dar aos projetos sociais uma visão
de longo prazo, em uma atividade produtiva legítima e perene,
"com o lucro socializado". A gestão será
profissional, remunerada pelo próprio negócio, e supervisionada
pelo acionista, que é o Projeto Casulo. "O modelo difere
totalmente do tradicional pedido de recursos via contribuições",
afirma o professor Schoeps.
Os projetos
aprovados, atualmente em fase de estudo de viabilidade, tiveram
como premissas a obtenção de lucro em prazo de até
cinco anos; a utilização de mão-de-obra extensiva;
impacto social qualitativo e quantitativo, enfoques éticos
e ecológicos e potencial de multiplicação,
para ser reproduzido em outras regiões.
(Gazeta Mercantil
- 22/01/03)
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