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Responsabilidade social ganha papel central na estratégia
das empresas
O movimento
global de sustentabilidade nas empresas deverá seguir quatro
grandes tendências nos próximos anos, de acordo com
estudo realizado pela consultoria britânica SustainAbility.
O trabalho foi divulgado na Conferência Internacional do Instituto
Ethos, que teve início ontem em São Paulo.
O estudo foi
baseado no modo como as empresas estão incluindo as questões
sociais e ambientais nas suas estratégias de negócios,
e mostra que há quatro principais cenários. Em um
contexto, a sociedade consegue atender às demandas sociais
sem degradar o meio ambiente. Em outro cenário, há
ganhos ambientais, mas a população mais pobre não
se beneficia, pois há retração da economia.
Em outra projeção, as demandas sociais são
atendidas, mas aspectos ambientais são deixados de lado.
No quarto cenário, nem as demandas sociais nem o meio ambiente
conseguem avanços significativos.
Os cenários
representam possíveis rumos que o movimento da sustentabilidade
nas empresas deve tomar nos próximos anos. Para Ricardo Young,
presidente do Instituto Ethos, todos os cenários envolvem
ainda o crescimento da importância dos países emergentes
e o aumento da urbanização. 'Esses cenários
são compostos a partir do cruzamento de duas variáveis,
a social e a ambiental, mas deixam de fora a variável da
tecnologia e seu poder de revolucionar padrões de produção
e consumo', diz.
'Responsabilidade
social empresarial não é um fim em si, e sim um meio
de se chegar à eqüidade social, preservação
ambiental e geração e distribuição de
riqueza', diz Aron Cramer, presidente do Business for Social Responsibility
(BSR), organização britânica que orienta empresas
em suas estratégias de sustentabilidade.
A consultoria
SustainAbility inovou o conceito de gestão tradicional ao
incorporar questões sociais e ambientais às estratégias
empresariais. Difundiu, entre outras coisas, a prática de
relatórios de responsabilidade corporativa.
Segundo Young,
do Ethos, a responsabilidade social dentro das empresas começa
a ganhar mais força no Brasil. 'Duas coisas estão
acontecendo e são convergentes', diz. 'No começo,
a preocupação era mostrar que responsabilidade social
era importante. Do ano passado para cá, o tema deixou de
ser um apêndice na estratégia das empresas e passou
a ter papel central na formulação das estratégias
das empresas - o que não quer dizer que as empresas são
socialmente responsáveis.'
O dilema das
empresas de incorporar a sustentabilidade nas estratégias
de negócios, ao mesmo tempo em que são pressionadas
a apresentar resultados financeiros de curto prazo, deve permear
as discussões da Conferência Internacional do Instituto
Ethos.
A conferência
foi aberta com um debate sobre responsabilidade social nas empresas
de comunicação. O modo como essas empresas estão
colocando o tema em pauta e na gestão das empresas esteve
no centro das discussões. 'Estamos em um processo de depuração
da cobertura jornalística sobre sustentabilidade', disse
o diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour. Também
participaram do debate Antonio Manuel Teixeira Mendes, diretor-superintendente
do Grupo Folha, Caco de Paula, diretor do núcleo de turismo
da Editora Abril, e Albert Alcouloumbre Junior, diretor de planejamento
e projetos social da Central Globo de Comunicação.
(O Estado
de S.Paulo)
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