Terceiro Setor movimenta R$ 12 bi por ano no país

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelam que o Brasil registra hoje mais de 250 mil organizações não-governamentais, que movimentam anualmente cerca de R$ 12 bilhões e empregam 1,2 milhão de pessoas. Essa participação do Terceiro Setor na economia representa 1,5% no PIB nacional.

Leia mais:
- O Terceiro Setor gira R$ 12 bilhões por ano
- USP formará gestores para atuar na área social
- Responsabilidade social leva a bons resultados

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Terceiro Setor movimenta R$ 12 bi por ano no país

É possível fazer negócios de maneira responsável, ética e cidadã. A premissa, adotada por número limitado de empresas no País, é regra básica da fabricante de cosméticos e complementos nutricionais Natura, "desde a ponta do fornecedor de matérias-primas até o relacionamento com o consumidor, passando pelo processo de transformação, manufatura e logística de distribuição", afirma Rodolfo Guttilla, diretor de assuntos corporativos.

A imagem da marca Natura como empresa comprometida com a preservação e conservação dos recursos naturais e com o desenvolvimento sustentável e socialmente justo foi comprovada em pesquisa realizada junto a seus consumidores: para 75% das mulheres e 63% dos homens ouvidos o atributo "socialmente responsável" é tão importante quanto a tecnologia e a confiança nos produtos.

Essa percepção do consumidor de priorizar compras de produtos de fabricantes que desenvolvem programas sociais e de atuação responsável é ainda iniciante no País, diz Guttilla. Mas representa uma tendência sólida e irreversível. Segundo estudo realizado pelo Instituto Ethos e pela Indicator Pesquisa de Mercado, a renda baixa ainda faz com que o brasileiro defina a compra pelo preço, o que coloca o consumidor brasileiro muito distante de países de Primeiro Mundo e até de outros em desenvolvimento. Apenas 16% considera esse tipo de ação para definir a marca de um determinado produto que levará para casa. Na Austrália, o índice é de 60%, nos Estados Unidos, de 53% e na Argentina, 24%.

O levantamento "Responsabilidade Social das Empresas - Percepção do Consumidor Brasileiro" faz parte de um estudo global, o Corporate Social Responsability, desenvolvido pelo instituto canadense Environics International, que reúne parceiros em 20 países. O Brasil o País ficou na décima-quarta posição.

O prestígio da marca Natura junto a consumidores e à sociedade foi construído através de ações como o manejo adequado das reservas de andiroba, no Amazonas, e de cupuaçu, em Rondônia, pelas comunidades locais dentro de padrões definidos pelo Forest Stewardship Council e o Conservation Agriculture Networ, através do Programa de Certificação de Ativos. O compromisso da marca também envolve o controle de emissão de poluentes tanto das frotas de caminhões de empresas terceizadas que fazem a distribuição de seus produtos, até o uso de gás R134a, inofensivo à camada de ozônio, nos aparelhos de ar condicionado. Para evitar a emissão de substâncias nocivas, a Natura nunca utilizou o gás CFC em seus produtos. Ela opta pelo butano-propano como propelente nos desodorantes aerosóis.

A fabricante de cosméticos também é reconhecida por seu trabalho social em diversas frentes: no Programa Escola, no Projeto Jequitinhonha, na Cooperativa de Costureiras, nos Barracões Culturais da Cidadania, no Programa de Promoção do Voluntariado, além de estar associada a outras iniciativas e organizações do Terceiro Setor e apoiar diversas instituições beneficentes.

Como parte de seu projeto de internacionalização, a Natura publica, desde o ano passado, um relatório anual de responsabilidade corporativa no modelo proposto pela Global Reporting Initiative (GRI), instituição mundial apoiada por uma grande rede de organizações multilaterais e da sociedade civil. No mundo, apenas 110 empresas publicam seus relatórios dentro deste molde, sendo a Natura a pioneira no Brasil, ao lado de grandes grupos como Basf (alemã), Ford Motor e Procter & Gamble (norte-americanas).

Com participação de 1,5% no PIB nacional, o Terceiro Setor - constituído por organizações privadas sem fins lucrativos que geram bens, serviços públicos e privados com o objetivo de obter desenvolvimento político, econô-mico, social e cultural no meio em que atuam - movimenta anualmente cerca de R$ 12 bilhões, emprega 1,2 milhão de pessoas e atrai ao redor de 1,5 milhão de voluntários.

O Brasil registra hoje mais de 250 mil instituições, formadas por organizações não-governamentais (ONGs), sem fins lucrativos, e que receberam, em 1995, doações da ordem de R$ 1,1 bilhão provenientes de quase 15 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento.

Estima-se que o número de doadores já havia triplicado em 1998, chegando a 44,2 milhões de pessoas, ou 50% da população adulta brasileira, segundo dados da Comunidade Solidária, entidade de promoção social do governo federal em parceria com lideranças da sociedade civil.Para expandir e fortalecer sua atuação, o Terceiro Setor enfrenta quatro grandes desafios: legitimar-se junto à sociedade, tornar-se mais profissional na sua gestão, buscar novas e criativas formas de financiamento e fazer parcerias com o Estado e o setor privado, segundo palestra de Lester Salamon, catedrático da Universidade John Hopkins que participou, no final de setembro, do Seminário Internacional sobre Perspectivas para o Terceiro Setor no Século XXI, realizado pela área de Educação Comunitária do Senac São Paulo e o Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo.

A vinda de Salamon faz parte da estratégia do Senac São Paulo de fortalecer sua atuação por meio de ações sócio-educativas que mobilizem, integrem e desenvolvam pessoas e organizações. Entre as iniciativas estão a criação da Universidade Aberta do Terceiro Setor e a formação de uma Rede Social, que visa integrar as organizações que compõem o Terceiro Setor.

(Gazeta Mercantil - 23/10/02)

   

USP formará gestores para atuar na área social

Pressionada pelo crescimento da demanda nos últimos três anos, a Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo (USP), inicia, no próximo ano, o curso MBA em Gestão e Empreendedorismo Social. Segundo a professora Rosa Maria Fischer, o programa foi formatado com base na experiência de dez anos de pesquisas e cursos de curta duração do Centro de Empreendedorismo Social e Administração do Terceiro Setor (CEATS).

Ela afirma que, de um lado, as organizações do Terceiro Setor enfrentam o desafio de profissionalizar sua gestão, ampliar sua atuação e obter resultados mais eficientes. Do lado das empresas, há uma mudança quantitativa e qualitativa de postura em relação à responsabilidade social.

Segundo pesquisa feita pelo CEATS junto a 440 companhias, os empresários querem mudar sua forma de atuar na área social. Cerca de 80% dos entrevistados, limitavam sua participação a doações e patrocínios. Agora, eles pretendem montar uma estratégia de atuação social de forma estruturada.

O MBA de Gestão e Empreendedorismo Social terá carga horária de 500 horas/aula, composta por atividades presenciais, em campo e a distância, a um custo de R$ 25 mil reais. A turma de 30 alunos terá condições discutir cases não só do Brasil, mas de universidades parceiras na Colômbia, Chile, Costa Rica, México, Argentina e Estados Unidos, devido parceria feita com a Harvard Business School.

Segundo a professora Rosa, a USP é a primeira organização no Brasil a participar da joint-venture SEKN - Social Enterprise Knowledge Network, coordenada pela Harvard e que gerou um dos recursos metodológicos que serão adotados durante o curso - os estudos de casos sobre o relacionamento entre empresas e comunidade. Ao mesmo tempo em que estão sendo pesquisados casos brasileiros, o CEATS tem acesso ao acervo de Harvard e das outras cinco universidades latino-americanas participantes desta rede.

Do lado brasileiro, o CEATS já tem dois estudos prontos - o programa de apoio à escola municipal da Natura e a parceria da Fundação Itaú com a Unicef. Outros três estudos de casos estão sendo elaborados: o apoio da Telemig Celular aos Conselhos de Crianças e Adolescentes no Estado de Minas Gerais; o relacionamento da Natura com as organizações não-governamentais que atuam nas comunidades fornecedoras de matérias-primas para a linha Ekos; e a atuação da Fundação Bradesco.

Além das parcerias acadêmicas, o CEATS mantém intenso relacionamento institucional com organizações internacionais, como o ISTR - International Society for Third Sector Research; Avina Foundation; Kellogg Foundation e Ford Foundation.

(Gazeta Mercantil - 23/10/02)

   

Responsabilidade social leva a bons resultados

As empresas começam a se dar conta de que não basta aliar qualidade, preço, serviços e marketing para vencer uma concorrência que, hoje, está globalizada. O diferencial pode estar na capacidade de fazer com que as pessoas se orgulhem em trabalhar para ela, em comprar seus produtos, em divulgar sua marca.

Na Eliane Revestimentos Cerâmicos, de Cocal do Sul (SC) todas as unidades da indústria, nos vários estados brasileiros, desempenham um papel importante de participação nas comunidades onde estão inseridas. A empresa preocupa-se com a preservação do meio-ambiente e com o desenvolvimento produtivo dos brasileiros. É a preocupação de ser reconhecida pelos órgãos públicos e pelas comunidades, como uma empresa positiva e socialmente integrada.

A Eliane mantém o Colégio Maximiliano Gaidzinski, que forma técnicos em cerâmica para dar suporte às indústrias da região Sul de Santa Catarina e atua como centro de pesquisas do setor. O colégio é um dos mais conceituados do País e tem, hoje, alunos vindos de todas as regiões do Brasil. O curso é gratuito, com aulas em período integral e estágio nas unidades da Eliane, aperfeiçoando e colocando em prática o aprendizado escolar. Neste ano, o colégio faz 22 anos de atividades. Seus ex-alunos integram cargos diretivos em muitas empresas cerâmicas nacionais. Através de suas filiadas na Bahia - a Iasa e a Céramus - a Eliane foi a primeira empresa a aderir ao projeto governamental Alfabetização Solidária naquele estado. A cerâmica patrocina a alfabetização de cidadãos carentes do município de Fátima, no sertão baiano, a 470 quilômetros distante de Salvador, e já é responsável pela alfabetização de mais de 1000 pessoas, em dois anos de atuação no projeto.

Outra preocupação da empresa está relacionada à questão ambiental. A Eliane Gres Porcelanato é vizinha a uma área de proteção ambiental e, portanto, a comunidade é muito exigente e ativa. Existe um diálogo aberto nas reuniões com a associação de moradores, onde é demonstrado o desempenho ambiental da fábrica e como a empresa está preparada para atuar numa situação emergencial.

Na Embraco, segunda maior fabricante de compressores do mundo, um dos motivos que a levaram a adotar uma política de marketing institucional foi o fato de fabricar um produto-meio, que não aparece em nenhuma vitrine. Então, para fazer a marca aparecer a indústria decidiu trabalhar sua imagem. Dividindo com a Multibrás algumas ações ligadas à saúde, a Embraco adotou para si a bandeira do meio ambiente. Desde 1993, a empresa patrocina o Prêmio Embraco de Ecologia, que incentiva a prática da educação ambiental.

(Gazeta Mercantil - 23/10/02)

   
 Terceiro Setor faz pesquisa socioeconômica no Nordeste
 Convênio lança guia das ONGs brasileiras
 Trabalhar no terceiro setor exige até MBA
 Trabalhar no terceiro setor exige até MBA
 OAB conclui projeto de advocacia gratuita para ONGs
 Prefeito de SC é eleito melhor gestor fiscal pela Abrinq
 Feira reúne experiências bem-sucedidas do 3.º setor
 Organização propõe novos líderes com idéias sociais
 Novo código Civil pode prejudicar instituições do terceiro setor
 Grandes empresas unem-se para criar o Instituto Razão Social
 Grupos criam instituto para atuar como incubadora de projetos sociais
 Parceria entre prefeitura e empresas oferece oportunidade para jovens de baixa renda
 ONGs contam com o apoio da mídia
 Alcoa investe US$ 260 mil para incentivar o trabalho voluntário