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Análise pode indicar retorno financeiro de ações sociais

Rodrigo Zavala

Desde a década de 90, empresários e especialistas em terceiro setor quebram a cabeça para descobrir formas efetivas de avaliar a eficiência de projetos sociais. Afinal, os resultados nem sempre estão ligados a dados mensuráveis, principalmente no que tange à formação crítica social dos participantes, ou mesmo à sua participação política.

Nesse sentido, o Itaú e a Fundação Itaú Social acabam de lançar uma nova metodologia que poderá fornecer algumas respostas. Ao analisar o retorno econômico, a avaliação faz uma completa radiografia dos impactos das ações sociais, intercalando os resultados da entidade atuante (uma ONG, por exemplo), com indicadores sociais levantados pelos governos locais e federal.

“Essa metodologia não é nova. É usada desde a década de 90 em várias partes do mundo. Nós apenas a adaptamos para a realidade brasileira”, explica o diretor executivo de Consultoria Econômica, Sergio Werlang.

Não apenas necessária, como imprescindível, na visão de Matias, essa técnica pode corrigir um dos maiores problemas do terceiro setor nacional: a falta de objetividade de seus projetos. “Falta uma cultura de gestão. Não se leva em consideração o custo sobre os resultados”.

Para explicar como funciona a avaliação econômica de projetos sociais adaptada pelo Itaú S/A, o responsável pela metodologia, o professor da USP Naércio Menezes Filho, usou como exemplo um dos projetos desenvolvido pela Fundação Itaú Social: o Raízes e Asas. Criado em 1996, seu objetivo era combater a evasão escolar em todo o Brasil em dois anos.

Por meio de parcerias com secretarias de educação de todos os Estados, a Fundação conseguiu chegar à escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio, capacitando professores, informando estudantes e conscientizando pais. Tudo era feito a partir de materiais distribuídos às secretarias, tais como livros, vídeos, cartilhas, etc.

No entanto, representando as mais diversas realidades brasileiras, 48 escolas foram selecionadas como núcleos de atuação direta da Fundação Itaú Social. Isto é, em vez de ser uma capacitação indireta, realizada pelas secretarias, a instituição enviou seus próprios profissionais.

Com base no Censo Escolar, no cadastro do programa e em estudos de cada região, foi possível comparar essas 48 escolas com as 5.722, que estavam na mesma situação, antes de ser iniciadas qualquer atividade em 96. Verificou-se a participação delas em programas sociais, federais, infra-estrutura e oferta de níveis especiais de educação (supletivo e inclusão de pessoas com deficiência). “ë comparar comparáveis”, lembra Naércio Menezes Filho.

Os resultados levantados por meio da nova metodologia foram “supreendentes”. Além de verificarem a queda da evasão, dado indicado na época, o resultado econômico final comparou os custos do programa, que chegou a pouco mais de 200 mil, com seu valor presente líquido (VPL). “O retorno por eles se manterem na escola, num calculo complexo, claro, superou os 40 milhões”.

Explica-se: foi analisado quanto eles poderiam receber a mais no mercado de salário a partir do aumento da escolaridade. “Mas este é apenas um dos exemplos. Os resultados podem envolver ações como a melhoria das condições de saúde ou a queda da taxa de criminalidade”, argumenta Menezes filho.

No entanto, a metodologia não pode ser considerada como o único instrumento de análise de projetos sociais. “Ela poderá trazer uma cultura de avaliação, para medir em termos quantitativos e qualitativos os impactos do projetos sociais. Isso é, mostrar os acertos e erros do se faz no terceiro setor. Nos livrarmos de vez do improviso”, acredita Antonio Matias, vice-presidente do Itaú e da Fundação Itaú Social.

   
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