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Gerar renda pela reciclagem não é suficiente como ação social

Além incentivar a coleta de resíduos sólidos, projetos devem incentivar diferentes formas de desenvolvimento comunitário.

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Gerar renda pela reciclagem não é suficiente como ação social

Rodrigo Zavala

No início da década de 90, o Brasil assistiu a um forte movimento em prol da reciclagem de resíduos sólidos. E em pouco menos de dez anos, mesmos as previsões mais otimistas dos estudiosos foram superadas por um verdadeiro boom da coleta seletiva de lixo. O país chegou a se tornar o primeiro no ranking mundial de reciclagem de latas de alumínio, por exemplo.

No entanto, um questionamento coloca em xeque essa boa notícia: nos tornamos um país mais civilizado ou é apenas mais um sinal da grave desigualdade social? A idéia tem como base a proliferação de catadores nos grandes centros urbanos, em um claro sinal da falta de oportunidades trabalhistas para as classes de baixa renda – implicando na manutenção da pobreza.

Na visão de Jacques Demajorovic, coordenador do curso de bacharel em Gestão Ambiental da Faculdade Senac, o aumento surpreendente na coleta de resíduos sólidos nos últimos anos não deixa de ser puramente financeiro. “O número de atores (sociais) envolvidos se tornou assustador. Além de catadores informais, apareceram os desempregados. Pouco depois as próprias empresas acordaram para isso, e então, condomínios, postos de gasolina, supermercados decidiram ganhar com o lixo”, lembra.

Um segundo passo, na visão de Demajorovic, foi a criação de políticas públicas e a entrada de organizações do terceiro setor nesse trabalho. Ele lembra, por exemplo, de práticas realizadas no sul do país, em especial em Porto Alegre (RS), conhecidas como Gestão Compartilhada Integrada. “Foram iniciativas que uniram o governo e ONGs na criação de cooperativas de trabalho. Esses programas retiraram centenas de crianças e adultos de lixões, em condições subumanas.”

Porém, o especialista garante que essa prática tende a acabar, já que foram criados há 10 anos, quando ainda existia abundância desses materiais. “Com o aumento de empresas nesse trabalho, essa cooperativas perderam espaço. Devemos repensar nas ações para esse público”, afirma.

Para a ecóloga e presidente da Associação Ecos do Vitória – Educação e Gestão Ambiental, Elaine Silva, as ações atuais devem conceber projetos em que exista um mapeamento das demandas das comunidades pobres. “Não adianta apenas trabalhar com resíduos, se for uma prática isolada”.

E caso ela exista, continua, a reciclagem deve estar atrelada a uma série de ações que vão além da conscientização. “Mas a própria idéia de empreendedorismo , trabalho deve ser estimulada.”

Elci Camargo, coordenadora do Departamento Jurídico da ONG SOS Mata Atlântica, nesse sentido, vai além: “Quem trabalha com questões socio-ambientais deve estar além da reciclagem e do amor pela natureza. Deve saber trabalhar com recursos humanos, administração e captação de recursos”, acredita.

Os três especialistas foram os convidados do 67º Fórum Permanente do Terceiro Setor, realizado mensalmente pelo Senac São Paulo, em parceria com a Agência de Educação para o Desenvolvimento (AED).

   
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