Programas de assistência e incentivo beneficiaram 160 mil pessoas em 2001

De acordo com o Balanço Social - Seguros, Previdência e Capitalização, os investimentos sociais totalizaram mais de R$ 100 milhões em 2001. Isso representa 45% a mais do montante aplicado em 2000 por um grupo de 22 companhias. Nesse mesmo ano, os programas de assistência social, de incentivo à cultura e ao lazer e de adoção de instituições filantrópicas beneficiaram 160 mil pessoas, de acordo com a pesquisa, realizada pela Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg).

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- Investimento social cresceu 45%
- Votorantim terá fundação para atuar no terceiro setor

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Investimento social cresceu 45%

Os investimentos em ações sociais acompanharam a forte expansão do mercado de seguros e exibem números cada vez mais vistosos. De acordo com o Balanço Social - Seguros, Previdência e Capitalização- edição 2001, os investimentos totalizaram mais de R$ 100 milhões em 2001 e englobaram atividades de 34 empresas do setor mais quatro sindicatos regionais.

A soma representa 45% a mais do montante aplicado em 2000 por um grupo de 22 companhias. Em 2001, os programas de assistência social, de incentivo à cultura e ao lazer e de adoção de instituições filantrópicas beneficiaram 160 mil pessoas, de acordo com dados do Balanço Social, organizado pela Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg).

O presidente da Fenaseg, João Elisio Ferraz de Campos, assegura que "o mercado está mais consciente de que não deve apenas pagar impostos, mas ter uma crescente presença em ações sociais", disse. Da relação de empresas envolvidas no campo da responsabilidade social figuram grupos dos mais variados portes, como, por exemplo, a Bradesco Seguros (R$ 57 milhões gastos em 2001); Capemi (R$ 23,1 mi); Brasil Veículos (R$ 3,044 mi); Sul América (R$ 700 mil); AGF Brasil (R$ 505,4 mil); e ACVAT Previdência Privada (R$ 2,4 mil).

João Elisio chegou a admitir que o número de ações sociais das empresas dos três setores pode ter sido maior no ano passado, já que alguns dos trabalhos realizados pelas empresas só foram entregues "em cima do prazo", existindo a possibilidade de que alguns não tenham sido incluídos no atual Balanço Social.

Contudo, a expectativa de João Elisio é que o número de ações sociais deva dobrar na próxima edição do balanço, já que grande parte das empresas começa a despertar para importância da área de responsabilidade social e a divulgação das iniciativas.

O balanço da Fenaseg exibe ainda outros números para realçar a importância do setor no plano social. Assinala, por exemplo, que hoje existem 140 companhias de seguros, 18 empresas de capitalização e 77 empresas de previdência complementar aberta, responsáveis por 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e pela geração de 200 mil empregos, incluindo-se aí a parcela das corretoras. O mercado devolveu R$ 24,2 bilhões à sociedade em 2001, por meio do pagamento de indenizações.

(Gazeta Mercantil - 25/10/02)

   

Votorantim terá fundação para atuar no terceiro setor

O Grupo Votorantim, terceiro maior investidor privado em ações sociais no Brasil, vai concentrar seus projetos de responsabilidade social nos próximos cinco anos na educação e na formação profissional de jovens. Para tanto, colocará em funcionamento, até o primeiro trimestre de 2003, o Instituto Votorantim, com orçamento anual em torno de R$ 25 milhões.

"A inserção dos jovens no mercado de trabalho é o maior desafio a ser enfrentado", justificou José Ermírio de Moraes Neto, vice-presidente do Conselho de Administração do grupo, ao anunciar a criação da instituição, que atuará nos moldes das organizações do terceiro setor. "O foco na formação profissional do jovem, porém, não exclui a atenção aos projetos voltados para a saúde, a cultura e o meio ambiente", ressaltou.

Tanto que o Grupo Votorantim investiu R$ 1,5 milhão no patrocínio da temporada da Orquestra Sinfônica da Rádio de Hamburgo, em São Paulo, com a realização do Mozarteum Brasileiro, e estruturou uma programação que envolve desde uma apresentação no Parque do Ibirapuera, às 15h de sábado, com a presença de 6.000 crianças e adolescentes, até a realização de "masterclasses" feitas pelos integrantes da orquestra a cerca de 150 alunos de música na tarde de domingo.

Estes alunos foram escolhidos entre as iniciativas de formação musical voltadas para a comunidade carente, como o Projeto Guri (da Secretaria de Estado da Cultura, destinado à educação de meninos de rua pela música) e a Orquestra Bacarelli (um grupo de 111 jovens que residiam na favela Heliópolis, destruída por um incêndio), que conta com apoio financeiro do Grupo Votorantim. As aulas contarão com a presença do maestro Christoph Eschenbach, diretor artístico e regente-titular da orquestra; Rolf Beck, gerente geral, e Julia Fischer, violinista que chegou ao posto de solista aos 17 anos. Além do violino, as aulas incluem também o violoncelo, oboé, trompete e viola.

José Ermírio Neto lembrou que a ação social é uma tradição do grupo e, em relação ao patrocínio da Orquestra da Rádio de Hamburgo, o diferencial foi a associação de uma ação cultural a um projeto educativo. "Nossa idéia é mostrar ao jovem, através de uma das mais importantes orquestras do mundo, a analogia entre a música e o trabalho em equipe", disse.

"Ambos exigem disciplina, hierarquia e talentos de destaque, como é o caso da violonista Júlia Fischer, que chegou ao posto de solista da orquestra aos 17 anos", completou. Para José Ermírio, o exemplo de Júlia é uma demonstração de que "o talento exige muito profissionalismo", idéia que o grupo tem procurado difundir. Outro aspecto que destacou foi a oportunidade de alcançar públicos e objetivos distintos: a comunidade em geral, com a apresentação no Ibirapuera, e a formação artística de jovens músicos promissores, "premiando talentos e preparando pessoas para o mundo competitivo".

Os empregados do grupo também estão entre os beneficiados. Entre as 10 mil pessoas esperadas no Ibirapuera, cerca de 4 mil são funcionários do grupo e seus familiares, muitos deles vindos das unidades industriais do interior e de outros Estados, em 30 ônibus colocados à disposição pela empresa. No programa, estão peças de Dvorák, Beethoven, Prokofiev e Maurice Ravel, com o seu famoso "Bolero".

O projeto envolvendo a Orquestra da Rádio de Hamburgo incluiu, também a ação educativa "Escolas em Concerto", que levou a milhares de estudantes da rede pública e de instituições vinculadas a outros organismos, como o Sesc e a Fundação Bradesco, um "kit educativo" de música clássica, além da preparação de professores para a sensibilização musical dos jovens.

Além da apresentação aberta ao público, e das sessões de formação musical para os jovens talentos, a Orquestra da Rádio de Hamburgo também fará dois concertos na Sala São Paulo, dias 28 e 29. A segunda apresentação será fechada para convidados do grupo, escolhidos entre músicos, maestros e pessoas ligadas à música erudita, além dos jovens estudantes de música.

O Grupo Votorantim tem 84 anos de atuação e, em 2001, obteve receita bruta consolidada de R$ 9 bilhões, em negócios com cimento, metais, papel e celulose, energia, química, agroindústria e finanças, entre outros. O lucro líquido foi de R$ 2 bilhões.

(Gazeta Mercantil 25/10/02)

   
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