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"Não existe carreira profissional no Terceiro Setor",
adverte especialista
Durante debate
"Mercado de Trabalho para o Terceiro Setor", promovido
ontem (27/05) pelo Senac de São Paulo, muitos participantes
ficaram chocados com as colocações do palestrante
Andres Pablo Falconer: "a questão de emprego no terceiro
setor só levanta Ibope e enche platéia. Coloca-se
a idéia de carreira, que não existe."
Coordenador
executivo da Associação Brasileira para o Desenvolvimento
de Lideranças (ABDL), Falconer condenou a idéia de
mercado de trabalho no Terceiro Setor, afirmando que essa discussão
esconde uma crise no emprego, de identidade e de valores do profissional.
Desta forma, trabalhar em organizações da sociedade
civil serviria como uma espécie de fuga e redenção.
"Muitos dizem que vão jogar tudo para o alto para exercer
uma atividade social."
O especialista fez uma comparação dos profissionais
de carreira que gostariam de trabalhar no Terceiro Setor com os
paulistas que querem ter um pousada no nordeste. "Todos têm
uma visão romântica, sem uma real idéia do que
vão enfrentar. Por isso, grande parte dos paulistas que abrem
pousadas tem que fechá-las em pouco mais de um ano, desiludidos
e endividados."
O mesmo se aplicaria
a pessoas com vontade de atuar em uma ONG, por exemplo. "Não
conhecem as fortes peculiaridades do setor. O profissional ganha
menos, geralmente é informal, tem que saber lidar com voluntários,
entre outras séries de situações que dependem
de cada instituição", explicou.
Marilda dos Santos Lima, supervisora pedagógica do Centro
Social Nossa Senhora do Bom Parto, corroborou com a visão
de Falconer. Embora tenha sido bem menos crítica em sua fala,
a pedagoga advertiu aqueles que buscam ascensão profissional
no Terceiro Setor. "Não há como. Até porque,
presidente e diretoria são cargos sem remuneração."
Ambos chegaram
a uma conclusão: no setor, deve-se trabalhar pela causa,
sem se importar com status ou remuneração. Além
disso tem que ter muita vontade de aprender. "Não se
sabe classificar um profissional social. Os cargos têm todos
os tipo de nomenclatura e escolaridade, muitas vezes, fica em segundo
plano", lembra Marilda.
(Rodrigo Zavala - 28/05/2003)
Leia
mais:
- Não existe perfil, mas requisitos básicos
para trabalhar no setor
Não existe perfil, mas requisitos básicos para trabalhar
no setor
A profissionalização
do Terceiro Setor nos últimos anos criou uma situação
dúbia para as organizações: precisam cada vez
mais de profissionais amplamente capacitados, porém que aceitem
receber uma remuneração bem abaixo do que paga o mercado.
"Hoje, não existe mais espaço para amadorismo
no setor. As entidades buscam pessoas com experiências múltiplas,
difíceis de encontrar", afirma Andres Pablo Falconer,
Coordenador executivo da Associação Brasileira para
o Desenvolvimento de Lideranças (ABDL).
Para Marilda
dos Santos Lima, supervisora pedagógica do Centro Social
Nossa Senhora do Bom Parto, outro grande problema é que não
existem cursos para formar pessoas. "Não existe uma
capacitação mágica que habilite uma pessoa
a trabalhar com diferentes temas. Geralmente o proffissional é
autodidata. E quando se trabalha com formação de crianças
e adolescentes, por exemplo, não se pode ter um profissional
não inteiramente qualificado."
As múltiplas
e diversas ações e trabalhos, as diferentes metodologias
e a identificação política das instituições
pesam sobre o setor. Desta forma, ambos afirmam que não existe
um perfil claro e objetivo do profissional.
No entanto,
o diretor presidente da Manager, assessoria em recursos humanos,
Ricardo de Almeida Xavier, alega que existem requisitos básicos
para quem quer atuar no setor: além de ver o trabalho como
uma missão, é preciso ter o propósito de contribuir
em mente, não se ligar à remuneração
e status, se acostumar a uma infra-estrutura modesta, ter uma posição
democrática com a equipe e estar sempre se capacitando. "Quem
não se enquadrar nisso é melhor esquecer o setor."
Marilda soma
mais uma condição: "pagamos pouco e exigimos
muito. Por isso a pessoa tem que ter esperança no que faz.
E talvez não tenha dinheiro que pague isso."
(Rodrigo
Zavala - 28/05/2003)
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