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Voluntariado se moderniza e vira estratégia empresarial
Houve um tempo
em que realizar trabalho voluntário era assunto apenas para
entidades filantrópicas. Com o engajamento das empresas em
causas sociais, a partir da década de 1990, o voluntariado
corporativo se modernizou. Hoje, as companhias mantêm programas
estruturados, com planejamento e orçamento próprios.
E buscam fórmulas mais inovadoras.
Levantamento
recente feito pela ONG Riovoluntário com 103 empresas de
todo o País mostrou que 45% das companhias mantêm programas
estruturados de voluntariado e 73% delas estimulam o voluntariado
em programas sociais da própria empresa. O ganho de imagem
obtido com a realização de ações sociais
e o aumento da motivação dos funcionários que
praticam trabalho voluntário são as razões
que estão por trás dessa mudança.
'A idéia
de voluntariado partiu dos funcionários e depois foi incluída
na política de investimentos sociais da empresa', diz Karinna
Bidermann, gerente de responsabilidade socioambiental da operadora
Vivo. Em 2002, um grupo de funcionários da antiga Telesp
Celular começou a se organizar para trabalhar com entidades
de apoio a pessoas com deficiência visual, como Laramara e
Fundação Dorina Nowill, de São Paulo.
A idéia
tomou força e foi incorporada à atual estratégia
de responsabilidade social da Vivo, que acaba de colocar no mercado
celulares adaptados com um software em braile. Hoje o instituto
ligado à empresa mantém o foco nesse público
e criou dois centros, em São Paulo e no Rio, voltados a funcionários
que querem realizar trabalho voluntário. Os locais contam
com impressoras de texto em braile, onde são impressas publicações
de interesse para pessoas cegas. Os voluntários podem trabalhar
na revisão de textos e na gravação de 'audiolivros',
recurso usado para deficientes não alfabetizados em braile.
'Já conseguimos mobilizar 600 voluntários em todo
o País. Isso é importante do ponto de vista estratégico,
pois torna mais palpável a política social da empresa.
E isso é percebido pela opinião pública', diz
Marcelo Alonso, que responde pela área de relações
institucionais da operadora.
Além
de ganhos para a imagem, o estímulo ao voluntariado traz
mais motivação para o funcionário. Fato comprovado
por uma pesquisa interna realizada pela Fundação Bunge,
braço social das empresas Bunge Alimentos, Bunge Fertilizantes
e Fertimport.
Foram ouvidas
284 pessoas que fazem parte do programa de voluntariado do grupo,
que mantém ações em educação
e parcerias com escolas públicas. Entre os entrevistados,
68% afirmaram que passaram a aplicar os conhecimentos obtidos com
o trabalho voluntário na vida profissional. Outros 47% declararam
estar mais participativos no exercício de suas funções
na empresa.
'Isso ocorre
porque o programa é estruturado de forma igualmente profissional.
Os voluntários passam por treinamentos constantes, que são
reconhecidos como horas de formação pela área
de Recursos Humanos', diz Cláudia Calais, gerente de projetos
da Fundação Bunge.
Para Anísia
Sukadolnik , diretora do Centro de Voluntariado de São Paulo,
muitas empresas ainda buscam programas de voluntariado para obter
um resultado rápido de marketing. 'Elas chegam influenciadas
por outras empresas, pelo concorrente e querem soluções
rápidas.' Mas avisa: 'Se a empresa não pensar estrategicamente
e não tiver valores sociais, o programa não tem eficácia.'
(O Estado
de S.Paulo)
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