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Terceiro setor emprega 2,5% da mão-de-obra do país
O terceiro
setor já emprega 4,5 milhões de pessoas, 2,5% da mão-de-obra
do país. O número de vagas cresceu duas vezes mais
que a média geral do país nos últimos anos.
O termo terceiro
setor é usado para definir várias organizações
sem vínculos diretos com o primeiro setor, que é o
estado, e com o segundo setor, que são as empresas privadas.
Quem trabalha na área gosta de dizer que não tem um
produto para oferecer, e sim algo a ser modificado.
“Eu gosto
de definir o terceiro setor como uma área intermediária
de atuação entre o estado, o mercado e a própria
comunidade. O que ele é pra mim? É um conjunto de
relações sociais”, explica Eloísa Helena
de Souza Cabral, doutora em ciências sociais.
Engana-se quem
acha que o terceiro setor é feito só de voluntários;
já é possível projetar uma carreira dentro
dele. “Uma instituição do terceiro setor tem
um conjunto de profissionais, que têm que tomar conta profissionalmente
da gestão”, diz Eloísa.
É aí
que entra um número grande de pessoas, que têm encontrado
emprego nas mais diversas áreas – como educação,
meio ambiente, marketing, relações públicas
e contabilidade.
Uma ONG de João
Pessoa que defende os direitos da mulher reúne funcionários
contratados, voluntários e colaboradores; a organização
já tem 18 anos e começou com cinco funcionários;
hoje, tem 14. Os salários lá variam de R$ 1 mil a
R$ 3.500. “Nossos voluntários ficam mais na ação
de monitoramento, de avaliação do nosso trabalho.
Nós que somos profissionais assalariadas temos responsabilidades
cotidianas com a entidade”, explica Gilberta Soares, psicóloga
e fundadora da ONG.
Os funcionários
assalariados também organizam a rede de parcerias da ONG.
“Nós temos sempre trabalhado no sentido de ampliar
as parcerias com órgãos governamentais, com empresas
e com outras organizações, no sentido de angariar
apoios e voluntariado para o trabalho da ONG”, diz Gilberta.
Ana Cristina
Barbosa de Lima é jornalista profissional, contratada pela
ONG. “Trabalhar com movimentos sociais me deu novas perspectivas;
eu desenvolvi outras habilidades dentro da área de comunicação.
Foi bastante importante para mim, hoje eu não me vejo mais
como um jornalista essencialmente técnica”, conta.
Em geral, o
trabalho no terceiro setor vai além de simplesmente bater
o cartão, como sabe bem Márcia Regina Gonçalves.
Durante 30 anos, ela trabalhou como administradora e contabilista
na iniciativa privada e poder público. Em 1999, ela tinha
um salário de R$ 4 mil. Foi quando decidiu trabalhar por
conta própria: recebeu um convite pra ser voluntária
num asilo por um ano, trabalhando como consultora administrativa.
De lá
para cá, já se passaram quase seis – e ela continua
no asilo, hoje como gerente financeira contratada. “Acredito
que o que eu recebo hoje talvez seja maior do o que eu recebia antes;
eu continuo a minha vida, e de uma forma muito mais serena e feliz”,
diz Márcia.
Entre as dicas
para saber se a organização é séria
estão: pesquise na internet - existem vários organismos
e sites que indicam se a organização é eficiente;
veja se a ONG está aberta há vários anos -
resistir ao tempo pode ser um bom sinal; confira quem são
os parceiros da organização - convênios com
instituições renomadas são uma boa indicação
de que o trabalho é sério.
“Se você
está pensando em ficar rico, não é o setor
mais indicado. Agora, se você está pensando em conseguir
um retorno daquilo que você projeta e passar por experiências
que você quer realizar, esse é um setor aberto a experimentações”,
garante Eloísa Cabral.
(G1)
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