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Aprendizado é a principal vantagem de voluntariado
O início
do ano é o período ideal para pôr em prática
desejos como o de ajudar os outros e o de alavancar a carreira,
seja conquistando um emprego, seja recebendo uma promoção.
Sabendo disso, há quem tente unir o útil ao agradável,
engajando-se como voluntário sem perder de vista a chance
de ganhar visibilidade na carreira.
Motivos para
praticar boas ações não faltam. De acordo com
especialistas, a iniciativa pode ajudar a melhorar a imagem do profissional
e a amenizar a competitividade entre funcionários no trabalho.
"O retrato
é o de alguém que tem outras motivações
de vida além do trabalho. Por ter a visão de quem
está inserido em algo maior, mostra-se preocupado com os
demais", ressalta a diretora de consultoria da Career Center
Simone Lasagno.
Para a consultora
de projetos de gestão Giuliana Paim, 26, que pretende atuar
no terceiro setor, a ação voluntária é,
na verdade, sua "sala de aula".
"O trabalho
social me deu novas capacidades, como a habilidade gerencial. As
ONGs, em geral, apresentam falta de estrutura e recursos escassos.
Tenho de lidar, portanto, com temas complexos que exigem diariamente
reflexão, crítica e aprimoramento desses aspectos
gerenciais do setor", diz.
"A solidariedade
que a gente desenvolve ajuda no ambiente profissional porque um
entende melhor as necessidades do outro", afirma o administrador
de empresas Marcos Antonio Maiello, 55, voluntário em entidades
sociais há 15 anos.
Já para
o executivo Rafael Navarro, 33, que há dois anos participa
de projetos alternativos para geração de renda a comunidades
carentes, o principal é ver os resultados práticos.
"É uma excelente oportunidade de aplicar todos os conceitos
que aprendi na minha profissão e, ainda, ajudar alguém
a construir seu próprio negócio."
Apesar de o
aprendizado ser importante, é preciso ter em mente que a
maioria das empresas não inclui os serviços comunitários
como requisito.
"Numa entrevista
de emprego, nunca me perguntaram se eu fazia trabalho voluntário",
pondera Paim. Para ela, essas ações tendem a ser mais
notadas por empresas que investem grandes somas em projetos de responsabilidade
social.
A opinião
é compartilhada pelo consultor da Michael Page Pedro Amaral
Dinkhuysen. Segundo ele, o gesto, seja do funcionário, seja
do candidato a uma vaga no mercado, não tem grande influência
na hora da promoção ou da contratação.
"Entre
um candidato que faz trabalho voluntário e não fala
inglês e outro que fala inglês e não faz ações
sociais, a vantagem do segundo é muito maior. Isso nunca
será um divisor de águas -pode ser um quinto ou sexto
caráter de desempate."
"O trabalho
no campo social de fato não é determinante",
diz a consultora Simone Lasagno, "mas ajuda a dar pistas sobre
o caráter do profissional".
(Folha de
S. Paulo)
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