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Fórum discute ações de empresas para cumprimento das Oito Metas do Milênio

Petrobras, CPFL Energia e Belgo-Mineira apresentam seus programas de contribuição e disseminação das metas estipuladas pela ONU.

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Fórum discute ações de empresas para cumprimento das Oito Metas do Milênio

Marina Rosenfeld

Apenas uma década após o início das discussões sobre responsabilidade social corporativa, o conceito deixa de ser uma necessidade interna de melhor configuração do negócio, e transcende os muros das empresas. Cada vez mais comprometidas com os problemas sociais do planeta, organizações de qualquer natureza têm mostrado seu verdadeiro potencial para a disseminação do conceito.

Foi nessa linha que seguiram as discussões durante a 5º edição do Fórum Exame de Responsabilidade Social, ontem (dia 30), em São Paulo. Realizado pela Revista Exame, com apoio do Instituto Ethos, o Fórum teve como objetivo mostrar as contribuições de algumas empresas brasileiras para as Oito Metas do Milênio, estipuladas pelas Nações Unidas (ONU), no ano 2000. Essas metas devem ser atingidas pela comunidade internacional até 2015 a fim de garantir a sustentabilidade do planeta.

Petrobras, CPFL Energia e Belgo-Mineira foram as três empresas que apresentaram seus projetos e propostas para a contribuição das metas. Com a intenção de buscar o desempenho associado à responsabilidade social auto-sustentável, as organizações têm deixado de lado ações puramente assistencialistas e para envolver-se profundamente em programas, atrelados ao próprio negócio.

“Hoje, fazer nossa parte é insuficiente. Precisamos fazer mais. Temos que ser protagonistas sociais e ter compromisso com o que ocorre à nossa volta”, argumentou o diretor de comunicação da CPFL Energia, Augusto Rodrigues. Segundo ele, é preciso mudar o atributo de responsabilidade social para “compromisso social”.

A CPFL atua nos setores de geração e distribuição de energia no interior de São Paulo e foi considerada empresa-modelo pelo terceiro ano consecutivo pelo Guia Exame de Boa Cidadania Corporativa. Atualmente, realiza atividades de divulgação e sensibilização das metas na comunidade, cria espaços culturais para discutir a questão social e participa de um fórum sobre cidadania e solidariedade com várias outras empresas.

Já a Belgo-Mineira, segunda maior produtora de aço do mundo, criou programas de compartilhamento de práticas de sustentabilidade e responsabilidade social na sua cadeia de negócios. “Pedimos para que cada um dos nossos fornecedores se auto-avaliassem e refletissem sobre suas práticas. O resultado foi 328 planos de ação”, comentou Antônio Álvaro Saldanha Machado, presidente da Fundação Belgo-Mineira. Há cinco anos a empresa recebe o prêmio de empresa-modelo em responsabilidade Social pela Exame.

Assim como a Belgo-Mineira, a Petrobras, além de ter projetos sociais nas áreas de saúde, meio ambiente, criança e adolescente, terceira idade, geração de renda e pessoas com deficiência, também participa de um grupo de trabalho para formação de gestores com foco em responsabilidade social. Além disso, um comitê avalia todas as conseqüências das decisões tomadas na empresa e seu alinhamento às metas do milênio.

De acordo com o gerente de comunicação nacional da Petrobras, Luiz Fernando Nery, não basta aderir a um pacto se não estiver estruturado para levá-lo adiante. “Nada disso seria possível se não trouxéssemos a responsabilidade social para a constituição da Petrobrás, aliada às estratégias de negócio”, disse Nery, ao comentar que a responsabilidade social faz parte da missão e da visão da organização.

A Petrobras que em 2004 obteve lucro de 17 bilhões, acredita que obtenção de lucro não afeta a preocupação com responsabilidade social, assim como muitas pessoas acreditam. “Lucro é a razão de ser da empresa. A questão é como buscar essa lucratividade”. Nery afirmou ainda que a rentabilidade e a responsabilidade social andam juntas por uma questão de sobrevivência da própria empresa.

Paulo Itacarambi, do Instituto Ethos, complementa dizendo que o movimento em responsabilidade social já avançou além do investimento social privado. “Trata da gestão do negócio, da arquitetura do negócio”.

São Metas do Milênio: erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.

   
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