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"As escolas lutam para alcançar novos padrões de ensino. Os professores estão irritados com a abordagem convencional adotada para a educação. Eles têm salários baixos. As instalações escolares estão em péssimo estado. Os políticos acusam os membros do partido adversário por não aplicarem verbas suficientes ou alegam que os sindicatos de professores protegem os maus profissionais. Portanto, pode ser um bom momento para pensar naquelas coisas que são pontos de concórdia para professores, alunos e pais." O diagnóstico acima é bem familiar. Poderia muito bem ter saído da boca de qualquer brasileiro, mas é um trecho da reportagem publicada no jornal USA Today, um dos mais populares dos Estados Unidos. Nós, acostumados com tanta mazelas da nossa educação, tendemos às vezes a achar que nossos problemas são típicos de países em desenvolvimento. Em alguns casos, essa premissa é verdadeira. Mas a semelhança entre o diagnóstico da reportagem do USA Today com a nossa realidade mostra que há problemas na educação pública que independem da pobreza ou riqueza de uma nação. O artigo americano cita uma pesquisa que mostrava que 43% dos professores diziam gastar mais tempo tentando manter a ordem na sala de aula do que realmente ensinando. Por outro lado, 70% dos alunos dizem que o comportamento desrespeitoso é comum nas escolas. A reportagem citava ainda outro dado interessante da pesquisa: 81% dos professores culpam os pais por não obrigarem os filhos a estudar ou ter um bom comportamento nas aulas. É impressionante como os resultados acima poderiam ser facilmente encontrados aqui no Brasil. O que me chama a atenção é o fato de professores, alunos e pais estarem sempre buscando uma explicação nos outros para tentar explicar o fracasso. Com relação aos alunos, acho que é até justificável um comportamento mais compreensivo da nossa parte, afinal, é para garantir o futuro deles que procuramos melhorar a educação, por mais que nem sempre eles concordem com isso. Dos pais, professores e políticos, no entanto, acho que devemos ser mais críticos. Os pais culpam a escola e os professores pelo fato de seus filhos não estarem aprendendo. Eles pouco se lembram (ou pouco sabem) do quanto é importante para a criança a atenção em casa para que ela vá bem em sala de aula. Os professores recebem alunos e os consideram problemáticos. Talvez gostariam de trabalhar com crianças perfeitas, todas programadas para aprender passivamente e de forma ordenada os ensinamentos que o professor tem a passar. Se o aluno repete, a culpa deve estar neles mesmos, nos pais ou no sistema pedagógico, político ou seja lá que outra desculpa for inventada para jusitificar o fracasso. Ainda sobre os professores, me lembro do livro "A Escola Vista por Dentro", dos pesquisadores João Batista Araújo Oliveira e Simon Schwartzman, que fizeram pesquisas em escolas e mostraram que os professores brasileiros culpavam principalmente o aluno pelo fracasso escolar. Com relação aos políticos, esses já são tão critidados _ e com toda a razão _ que não gastarei muitas linhas desse texto para que o leitor leia algo que já deve ter lido várias vezes, como a falta de compromisso dos políticos com a educação, que criança não dá voto, que educação é um processo de longo prazo, etc., etc., etc.. O autor do texto do USA Today, Chuck Raasch, afirma que "o melhor aliado dos pais é um bom professor. Por outro lado, um mau professor muitas vezes pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso para uma criança". Talvez seja isso que falte no diálogo entre o professor, a família, a escola e os governos. Entender que a educação é um processo que depende de todos, e que o esforço também deve ser feito por todos esses atores, seja aqui, nos Estados Unidos, em Angola ou na China. Numa das primeiras colunas que escrevi nesse espaço, comentando os ciclos de aprovação da rede estadual de São Paulo, escrevi algo que me parece cair como uma luva para finalizar também este artigo: "Há quem diga que a culpa [por estarmos formando estudantes analfabetos] é da família, que está delegando para a escola quase toda a responsabilidade pela educação dos filhos. Outros afirmam que são os professores, que preferem educar da forma mais simples e retrograda: tendo em mãos um instrumento punitivo como a ameaça da repetência para obrigar o aluno a estudar. (Estimulá-lo a aprender sem ter esse instrumento é muito mais difícil). O mais comum, no entanto, é criticar o governo (federal, estadual ou municipal) por não investir o necessário na qualificação dos professores, não pagar salários dignos e não dar estrutura adequada às escolas. Sei que é complicado para um jornalista opinar sobre um tema sem estar diretamente envolvido nele (na sala de aula ou nos gabinetes das secretarias de educação). Eu arriscaria, no entanto, dizer que todos os lados estão cobertos de razão nas suas críticas. O que falta é cada um admitir sua parte da culpa." |
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