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Você é contra ou a favor da cobrança de mensalidades em universidades públicas brasileiras? Bem, independentemente da sua opinião, é bom tomar cuidado quando alguém cita a situação de um país no exterior para defender ou criticar a cobrança. Isso porque o modelo de financiamento das universidades públicas varia tanto de um país para outro que é possível defender, com exemplos do exterior, qualquer ponto de vista. Alguns exemplos. Se você quer mostrar que o Brasil deve cobrar mensalidades dos que podem pagar, um bom exemplo é falar da China, um país controlado pelo partido comunista que cobra uma taxa anual de seus alunos que varia entre R$ 800 e R$ 1.600. O mesmo faz a Coréia do Sul em suas universidades. Se for preciso usar um exemplo da Europa, o da Inglaterra dá razão aos que defendem a cobrança, já que o governo do trabalhista Tony Blair instituiu a cobrança anual de uma taxa de cerca de R$ 4.000 no ano passado. Se for mais convincente usar um exemplo de um quase vizinho, pode-se falar do Chile, onde, nas universidades públicas, é cobrada mensalidades da mesma forma que acontecem nas particulares. Os que não podem pagar recebem financiamento e uma minoria que comprove extrema pobreza consegue estudar gratuitamente. Se você é dos que não gostam nem de ouvir falar em cobrança, pode usar o exemplo da França, que cobra apenas uma taxa de inscrição e dá ensino superior de qualidade gratuito para quase todos os alunos. Pode falar também da Argentina, cuja população universitária em relação ao total de habitantes é quase o dobro da brasileira e mantém suas universidades públicas sem cobrar mensalidade. Pode até apelar e dizer que, nos Estados Unidos, um dos países mais liberais do mundo, o Estado investe pesadamente nas universidades públicas e particulares. Em média, nas particulares, apenas 39% da receita é proveniente da cobrança de mensalidades. Boa parte dos recursos das melhores universidades privadas dos Estados Unidos vêm diretamente ou indiretamente dos cofres públicos, por meio de financiamento para pesquisas, para bolsas de alunos ou de políticas de isenção fiscal para doadores privados. A única coisa em comum em todos esses países é que o Estado, de forma mais ou menos atuante, está presente no financiamento do ensino superior. De resto, cada país adotou seu modelo. No Brasil, não há cobrança de mensalidades de universidades públicas. Se isso é justo ou não é outra discussão. Os exemplos de fora podem ajudar na discussão, mas sugerir a cópia de um deles ignorando a particularidade do Brasil é, na minha opinião, no mínimo, insensato. |
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