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O repórter Luiz Roberto de Souza Queiroz, da Agência Estado, fez uma ótima reportagem a respeito das pérolas que alguns estudantes escreveram na redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Entre outros absurdos, a reportagem mostrava que estudantes escreviam que "o problema ainda é maior se tratando da camada Diozoni", que "a natureza foi discuberta pelos homens a 500 anos atrás", que "vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós" ou falavam sobre "o fenômeno Euninho..." Chamo a atenção, no entanto, para um risco que se tem ao ler matérias como essa. Como bem lembra uma professora que participou da correção das provas na mesma reportagem, essas "pérolas" não podem nos levar a conclusão simples de que o nível do ensino está muito baixo. Ponderações como essas, feitas nessa reportagem, são importantes. Assim como há pérolas, há também o outro extremo. Se fossemos analisar as redações dos primeiros colocados no Enem, poderíamos também chegar a conclusão, equivocada, de que nosso ensino vai muito bem, obrigado, por causa do alto nível das redações. Os primeiros colocados certamente escreveram redações muito melhores do que a média dos universitários brasileiros, apresentaram um raciocínio lógico e coerente e demonstraram um nível de conhecimento do assunto de fazer inveja a maioria dos brasileiros. Em todo o concurso, em qualquer lugar do mundo, haverá os dois extremos. O correto, quando se trata de fazer análise da qualidade do ensino, é olhar para a média. É ela que vai nos dizer se o ensino melhorou ou piorou. O que os exames que avaliam a qualidade do ensino, como o Saeb, mostram é que ainda estamos longe do ideal. Pior: do último exame, em 1999, para o penúltimo, em 1997, houve uma queda ou estabilidade na nota média dos estudantes em português e matemática em todo o Brasil. Os resultados que apresentamos até agora estão longe de nos deixar orgulhosos e confortáveis. Mas é preciso tomar o cuidado de não ceder a tentação de, a partir de pérolas como as escritas por esses estudantes, chegar a conclusões sobre o nível da educação brasileira. Poderemos melhorar muito, mas, mesmo assim, ainda haverá pérolas dos estudantes para nos fazer rir. Elas, no entanto, servem apenas para isso, e não para análises sérias.
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