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No mês passado, estudantes reunidos no 47o Congresso da UNE decidiram manter o monopólio da entidade na confecção das carteirinhas de estudante que dão direito à meia entrada em cinemas, shows, teatros e outras atividades. Se a decisão é polêmica no movimento estudantil (um ambiente muito influenciado pelas tendências de partidos de esquerda como o PC do B, PT e PSTU), fora dele, o assunto chega a causar indignação em muitos estudantes. O argumento do novo presidente da UNE, Felipe Maia, a favor do monopólio das carteirinhas é de que a entidade precisa desse dinheiro para se manter, para se comunicar com os estudantes, para fazer manifestações, para realizar bienais de cultura, entre outras atividades. Pedi a Felipe que escrevesse um artigo para esta coluna, defendendo seu ponto de vista. Respeito as posições do novo presidente da entidade, mas o que me incomoda é o fato desse financiamento ser compulsório, e não opcional. O Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal da Bahia fez uma tentativa que, ao meu ver, poderia dar certo. Eles venderam a carteirinha de estudante a preço de custo, deixando opcional para o estudante contribuir para as entidades estudantis. No primeiro ano, a iniciativa foi um fiasco, com apenas 2% dos estudantes contribuindo. No ano passado, no entanto, cerca de 30% dos alunos que compravam a carteirinha contribuiram para a entidade. Que fique bem claro: acho que a UNE é uma entidade que presta um bem inestimável ao país. Por mais que muitos vejam na diretoria da entidade, onde o PC do B é hegemônico há 10 anos, um discurso radical demais, minha opinião é de que é preciso ter vozes "radicais" para protestar contra o "neoliberalismo", contra o "sistema", contra o "governo" ou seja lá contra quem. Faz parte do jogo democrático e é saudável haver divergências, debates, protestos (desde que no limite do respeito à democracia). A tendência da globalização é uniformizar os modelos econômicos e os discursos, vendendo a idéia de que há apenas uma saída para os países. Vozes como a da UNE ajudam o país a refletir sobre o sistema, mesmo que não se concorde com as críticas da entidade. É ótimo ver a UNE nas ruas marcando sua posição, mas tenho minhas dúvidas se a imensa maioria dos estudantes que compra carteirinhas concordam com essa posição ou se tem alguma posição definida sobre os temas que a UNE defende com tanta veemência. Se os estudantes não concordam com as bandeiras defendidas pela entidade, em minha opinião, não deveriam contribuir para ela. Leia artigo do presidente da UNE, Felipe Maia, sobre o assunto.
Conquista histórica e legítima Felipe Maia* Os estudantes que hoje chegam à porta de um teatro, apresentam a carteira e pagam metade do preço do ingresso estão usufruindo de uma conquista que não chegou de graça. A meia-entrada custou, sim, muita luta. Uma luta que sempre teve resistências das forças retrógradas e dos grandes grupos econômicos do país. Talvez pela sua essência - a idéia de que a formação do cidadão não se dá apenas no banco das escolas, de que é preciso dar acesso a atividades culturais capazes de ampliar a sensibilidade, o conhecimento e a forma de ver o mundo. Que é preciso dar a oportunidade para o jovem ver de perto seu país e outros lugares do mundo, conhecer culturas, comportamentos e povos diferentes - e crescer respeitando as diferenças. Esse princípio, de cidadania e de democracia, que se expressa no direito à meia entrada, sempre incomodou muita gente. Esses setores e mesmo os estudantes que querem usufruir da meia entrada, porém, discordam da linha de atuação da UNE, precisam respeitar o incontestável: A União Nacional dos Estudantes, é a legítima e única entidade nacional representativa dos estudantes universitários em nosso país, assim como a OAB representa os advogados e a ABI representa os jornalistas. Além disso, sem o documento único, que é a carteira de identificação estudantil emitida pela UNE, é comprovadamente impossível fiscalizar, evitar fraudes e falsificações. Por último, vale ressaltar uma informação que infelizmente muitos fazem questão de ocultar: a UNE fica com apenas 25% do valor líquido arrecadado com a venda de carteiras, sendo os 75% restantes distribuídos em partes iguais, a saber: 25% para as UEE's, 25% para os DCE;s e 25% para os DA's. Garantindo assim, financiamento para um movimento estudantil desvinculado do poder econômico. * Felipe Maia , 23 anos é o Presidente Eleito da União Nacional dos Estudantes. |
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