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Um aspecto pouco lembrado nas análises sobre a chegada do PT ao poder é a capacidade que isso tem de contribuir para o amadurecimento do debate público no país. Durante todo o governo de FHC, o país teve um grande partido de oposição: o PT de Lula. Na maioria das vezes em que situação e oposição divergiam, o debate poderia ser resumido da seguinte maneira: a situação afirmando que não há dinheiro para fazer tudo o que o Brasil precisa em pouco tempo e a oposição garantindo que, com um pouco mais de competência e vontade política, muito mais poderia ser feito. Na educação, são inúmeros os exemplos desse debate. O primeiro que me lembro é o Fundef. O governo federal havia se comprometido _ e não cumpriu _ a aumentar gradativamente o valor por aluno do Fundef. Como resultado desse aumento, os Estados mais pobres receberiam mais recursos do governo federal para investir na educação. O PT sempre cobrou, judicialmente e na câmara, que o valor por aluno aumentasse até o limite que a lei exige. A tropa de FHC sempre falou que o aumento era o possível, visto que o governo não podia gastar mais do que arrecada. Uma vez no poder, uma das primeiras medidas do PT foi aumentar o valor por aluno no Fundef, mas esse valor ainda não chegou ao patamar que, quando estava na oposição, o partido dizia ser o mais correto. Outro exemplo claro disso é a luta contra o analfabetismo. O PSDB dizia que, como há poucos recursos, é preciso priorizá-los e investir nas crianças para erradicar o analfabetismo no futuro. O PT, na oposição, cobrava medidas mais eficazes para acabar com o analfabetismo adulto logo. Ao assumir o governo, está sendo ainda mais ousado: prometeu erradicar o analfabetismo em quatro anos. Além dessas questões, o governo de Lula também sempre pregou que era preciso aumentar as vagas nas universidades públicas e melhorar o salários dos professores e funcionários dessas instituições. O PSDB, como sempre, afirmava que não havia recursos para isso. Como o PT, acertadamente, já mostrou que não vai abrir mão da regra básica da boa administração pública (não gastar mais do que arrecada), só há uma saída para os ministros: trabalhar melhor, pelo menos num primeiro momento, na mesma realidade de aperto de contas públicas que trabalharam os ministros de FHC. Com isso, a chegada
de Lula ao poder vai nos dizer, daqui a quatro anos, quem estava com a
razão. Se FHC ao dizer que é preciso estabelecer prioridades
já que os recursos públicos são poucos, ou o PT,
que garantia que dava para fazer muito mais do que estava sendo feito. |
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