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Cultura da doação O empresário Eduardo Silva estudou na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde teve seus estudos financiados pelo poder público, e fez mestrado em Harvard, onde pagou caro pelo curso. Todo ano, Silva faz uma doação para uma dessas instituições. A escolhida é a segunda. Eduardo Silva é um nome inventado, mas a história acima é verdadeira. O que faz o personagem dessa história doar para uma universidade estrangeira e ignorar uma instituição que gastou, em média, US$ 10 mil (dinheiro público, diga-se de passagem) anuais com a sua formação? Ao fazer uma reportagem para a Folha de S.Paulo, perguntei para as assessorias de imprensa de sete universidades públicas brasileiras quanto as instituições haviam recebido de doação de ex-alunos no ano passado. Em cinco delas, a respeita foi nenhum centavo. Foi o caso da UFRJ, Uerj, UFF, UFRN e UFPA. Os reitores com quem conversei apontam a falta de cultura e de incentivos fiscais como os principais inibidores dessa prática, muito comum nos Estados Unidos e Inglaterra. Não acho que todos que passaram por uma instituição pública deveriam se sentir obrigados a fazer doações. Mas há casos em que, acredito, isso seria uma atitude nobre. Por exemplo: um estudante de Medicina que, após estudar numa universidade pública, monta um consultório e, no início, com a ajuda da grife do seu diploma, vai crescendo profissionalmente até enriquecer. No Brasil, há pouca cultura de doação. Os que doam, no entanto, preferem fazer principalmente para instituições religiosas. Doar para uma associação religiosa é encarado como um gesto nobre por aqui. Doar para uma instituição de ensino já não é tão valorizado. A boa notícia no Brasil é que algumas instituições começam a mudar esse hábito. A UFMG, por exemplo, recebeu R$ 4 milhões de um ex-aluno no ano passado (o banqueiro Aloysio Faria). Recebeu também R$ 100 mil dos fundadores do mecanismo de busca Miner, que estudaram na instituição. Podem ser exemplos
isolados, mas é aos poucos que se muda a cultura de não
pensar em retribuir o investimento do poder público (quando há
condições para isso). Essa é uma discussão
que também passa pela questão fiscal, já que não
há incentivo para quem doa. Mas é, na minha opinião,
antes de tudo, uma questão de cultura (ou de falta de). |
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