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No Brasil, os deficientes físicos são tratados com tanto descaso que nem sequer sabemos, através de estatísticas oficiais, quanto eles são. A Sinopse Estatística do Censo de 2000 do MEC mostra, no entanto, que isso pode estar começando a mudar: o número de escolas que integram deficientes na mesma sala de aula com os demais alunos aumentou em 141% em dois anos. A notícia é boa, mas a distância entre a teoria e a prática no Brasil ainda é grande. Cubro educação há cinco anos e nunca vi um educador ser contra a inclusão de deficientes em salas comuns. Apesar disso, a realidade das escolas (e não são só as públicas) é bem diferente do que se idealiza para receber esses alunos. O mesmo censo do MEC mostra que a maioria das salas não tem recursos pedagógicos para receber esses estudantes. A maioria dos alunos integrados em salas comuns estuda em locais sem recursos específicos para adaptá-los à deficiência. Quando o assunto é formação de professores para lidar com essas diferenças, a situação é tão distante do ideal que até a secretaria de educação especial do MEC admite que o que foi feito até agora ainda é muito, muito, pouco. Resta à escola contar com o bom senso do professor, o que nem sempre acontece. Daí muitos pais de deficientes preferirem mantê-los em escolas exclusivas para esses alunos. Uma integração mal feita pode ter efeito contrário e acelerar o processo de exclusão. A dificuldade de aceitar os deficientes no Brasil é, infelizmente, democrática: acontece tanto nas públicas quanto nas particulares. Nas escolas pagas, o maior obstáculo é o preconceito dos pais de alunos sem deficiência, que muitas vezes têm medo que o novo aluno atrase o ritmo da turma. Integrar o aluno deficiente em salas de aula normais é uma tarefa delicada, mas que pode ensinar muito a todos os estudantes. Uma dos clichês mais batidos é dizer que democracia é aprender a conviver com as diferenças. A escola que inclui o deficiente dá aula de democracia. Pena que ainda são tão poucas. |
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