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Peço permissão aos que acompanham esta coluna para falar, mais uma vez, sobre a questão das cotas em universidades públicas brasileiras. O assunto voltou à tona, com mais força, por causa da inclusão no documento oficial da delegação brasileira que será apresentado na Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, na África do Sul. Os movimentos negros querem que o governo federal institua cota para negros em universidades públicas como um dos mecanismos de diminuição da desigualdade racial brasileira, ainda mais evidente nos bancos de universidades pública e particulares. Quem quiser ver argumentos contra as cotas, sugiro a leitura de artigos do ministro Paulo Renato Souza em 30/08 no Globo e na Folha de S. Paulo e do pesquisador Manolo Florentino, da UFRJ, no Jornal do Brasil , publicado na editoria de opinião em 30/08. Gostaria de trazer ao debate o depoimento do reitor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Francisco Sá Barreto. Ao contrário da maioria dos reitores de universidades públicas, Barreto defende a reserva de vagas. "Concordo que para resolver o problema da desigualdade na educação é preciso fazer um trabalho na base, no ensino fundamental e médio. No entanto, considero perfeitamente razoável que existam cotas para carentes na universidade pública", diz. Ele critica as propostas que defendem a reserva, logo de cara, de metade das vagas para carentes, alunos da rede pública ou negros. Barreto defende primeiro que as cotas privilegiem carentes, que, dessa forma, acabariam privilegiando negros. Segundo o IBGE, a porcentagem de carentes entre negros é muito maior do que entre brancos por razões históricas. "A cota deve ser implementada gradualmente, ano a ano, e a seleção deveria se dar também por um critério acadêmico. Não basta colocar o negro e/ou pobre na universidade, é preciso mantê-lo", diz o reitor da UFMG. Ele cita dados da universidade que dirige que mostram que os alunos carentes que receberam bolsas ao longo do curso tiveram rendimento acadêmico semelhante aos não-carentes, o que mostra que é possível incluir o carente e formá-lo com a mesma qualidade de um estudante de nível social melhor. Atualmente, há duas experiências de reserva de vagas no Brasil. Uma no Rio de Janeiro, onde o governador Anthony Garotinho reservou 50% das vagas em universidades estaduais para alunos que estudaram toda a vida em escolas públicas. A segunda é da recém-criada Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, onde os carentes terão 50% das vaga e os deficientes, 10%. Todos que se interessam pelo tema deveriam olhar com cuidado essas duas experiências. A partir delas, será possível ter argumentos baseados em experiências concretas, contra ou a favor das cotas. Antes disso, tudo não passa de opinião.
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