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Ainda sobre qualidade de ensino Os resultados do Saeb, que tanto estão dando pano para a manga, apontaram para a urgência de outro problema na educação brasileira, pública ou privada: a formação de professores. Em entrevista na Folha de S. Paulo, o ministro Paulo Renato Souza admitiu que ainda há muito a ser feito na área. Nas palavras do próprio ministro, "uma área onde o MEC enfrentou muita resistência foi na formação dos professores." Tanto dos que dirigem faculdades de educação quanto dos que tiveram dificuldade não esperada pelo ministro para absorver a filosofia dos novos parâmetros curriculares propostos. Sobre o Saeb, falou-se muito que a entrada de alunos carentes fez baixar a média da qualidade. A análise até faz sentido, mas a realidade mostra que, se o professor estiver preparado para lidar com esse novo perfil de aluno, não há perda da qualidade. Na escola particular - que também passa por uma crise ao não saber lidar com um aluno acostumado à linguagem da Internet, da TV e de outras mídias -, um professor motivado e bem preparado consegue, sem problemas, chamar o aluno para a escola. Quem não teve um professor que, mais do que ensinar, inspirou, motivou e cativou uma turma inteira de alunos. Eu, por exemplo, tive um de Química, chamado pelo carinhoso apelido de "Peninha", que me fez estudar o assunto (que detesto, diga-se de passagem) com o mesmo entusiasmo com que ia para as aulas de história. Saudosismo à parte, usei esse exemplo só para ilustrar que a questão central da discussão da qualidade do ensino passa, sem dúvida, pelo papel do professor. Parece óbvio, mas não é o que acontece na prática. O que explica, por exemplo, que só em maio deste ano, quatro anos após aprovada a LDB, chegou a discussão no Conselho Nacional de Educação sobre as novas diretrizes na formação de professores em nível superior? Por que um professor que dá aula para as séries iniciais não é sempre o melhor remunerado e o mais bem preparado para trabalhar com os alunos que acabam de chegar no sistema escolar? Me parece óbvio que a responsabilidade de um desses mestres é muito maior do que a de um profissional que recebe, no ensino médio, um aluno que já passou por diversos filtros até chegar ao antigo segundo grau. Por que, a exemplo do que acontece com os médicos, os professores não passem, antes de iniciar para valer o trabalho, por um estágio de "residência"? Um período em que, supervisionados por profissionais mais experientes, comecem, na prática, a entender mais sobre a profissão que decidiram abraçar. Quem souber a resposta...
Entenda
a polêmica do Saeb:
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