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Há duas colunas, comentei neste espaço um dado do IBGE que mostrava a desigualdade entre pobres e ricos na educação. Agora, o mesmo instituto, ao divulgar dados do Censo 2000 _ a mais completa pesquisa sobre a realidade brasileira _, mostra novos números sobre essa desigualdade, dessa vez com o enfoque racial. O que preocupa nos dados do IBGE é a constatação de que, apesar de todos os avanços, não há luz no fim do túnel que indique que a desigualdade entre brancos e negros vá diminuir no futuro. Já sabíamos que a taxa de analfabetismo adulta dos negros era muito maior do que a dos brancos. Segundo os dados do Censo, essa diferença é, precisamente, de 13,2 pontos percentuais. Enquanto entre os brancos 8,3% da população não sabe ler nem escrever, entre os negros essa porcentagem chega a quase um terço da população: 21,5%. Mas, apesar desse resultado, o acesso à educação no país vem aumentando e, com isso, num futuro próximo, essa diferença vai acabar, certo? Não é bem assim. Entre a faixa etária de 10 a 14 anos, a mesma em que houve o maior avanço em termos de acesso ao ensino fundamental, a desigualdade é sem dúvida menor, porém, persistente. Entre as crianças negras, a taxa de analfabetos nessa faixa etária é de 9,9%. Entre brancos, cai para 3%. De um lado, é preciso reconhecer que a tendência para o futuro é a taxa de analfabetismo entre negros cair mais ainda. De outro, não se pode ignorar que ainda estamos produzindo desigualdade. O que impressiona na análise dessa estatística é que não estamos mais falando, necessariamente, de uma população que está fora da escola. Como mais de 96% da
população de 7 a 14 anos está na escola, como mostra
o próprio IBGE, a taxa de analfabetismo entre negros de 9,9% indica
que há negros de 10 a 14 anos que entraram na escola, mas esta,
por sua vez, ainda não foi capaz de ensiná-los a ler e escrever.
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