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Eis aqui alguns dos argumentos mais difundidos, mas que não encontram nenhum embasamento nas estatísticas confiáveis. - Os ricos vão para as universidades públicas e os pobres para as particulares. Não há nenhuma estatística comprovando isso. Pelo contrário, se formos analisar o questionário socioeconômico do Provão de 2000 veremos que as públicas são até um pouco menos elitistas do que as particulares, tanto quanto à renda quanto à cor. O que os números mostram é que, há, sim, uma grande diferença entre os alunos de cursos concorridos e os menos concorridos, não importando qual a universidade. Em outras palavras, o aluno do curso de Medicina da Unip ou da Estácio de Sá tem o mesmo perfil do da USP ou UFRJ. A diferença acontece quando comparamos os alunos de Medicina com os de Letras, independente da universidade. - A escola pública de antigamente era melhor do que a de hoje. Essa é uma meia verdade. A escola pública de antigamente era melhor, é verdade, mas era também diferente, aliás, muito diferente. Ela atendia principalmente uma elite de classe média ou alta. Não era uma escola democrática. Estudavam nela principalmente os filhos das famílias com mais condições de comprar livros, estimular hábitos de leitura, incentivar os estudos. Todos os educadores colocam como principal desafio do professor a educação de crianças com menos condições. Trocando em míudos, é muito mais fácil ensinar para uma criança cuja família tem condições de dar todo o apoio ao filho do que para um filho de pais pobres que, muito provavelmente, têm, no máximo, o primeiro grau completo. Para derrubar essa teoria, basta perguntar, por exemplo, para uma empregada doméstica de mais de 40 anos, por exemplo, qual a lembrança que ela tem da escola pública. Aposto que ela vai lembrar de uma realidade muito diferente da escola pública onde estudou um engenheiro de mais de 40 anos. - Só tem rico nas universidades públicas. Depende do que se considera como rico. Se uma família que ganha entre R$ 1.500 e R$ 3.000 para sustentar quatro pessoas é rica, então, essa teoria está correta, já que a maioria dos alunos das universidades públicas está concentrada nessa faixa de renda. O mais correto seria dizer que os alunos que chegam às universidades públicas são mais ricos (ou menos pobres) do que os que estudam em escolas públicas de ensino básico. Um estudo do economista José Márcio Camargo, da PUC-RJ, mostra que 80% dos alunos de universidades públicas estão entre os 40% mais ricos da população. Apesar disso, estatísticas do MEC mostram que os estudantes com renda mensal acima de R$ 3.000 nas públicas são apenas um quarto do total. - Estão querendo privatizar as universidades públicas. Depende do que significa privatizar, nesse caso. Se privatizar significa vender para a iniciativa privada uma universidade federal, por exemplo, essa é, então, uma das teses mais abusrdas, na minha opinião. Nunca vi ninguém defender isso. Também nunca vi ninguém interessado em comprar. Além do mais, seria inconstitucional. Enfim, privatizar, no sentido mais usado dessa palavra, existe apenas nas teorias conspiratórias de grupos de oposição ao atual governo. Agora, se privatizar significa, aos poucos, aumentar a participação do ensino privado no total de alunos de ensino superior no Brasil, então, os grupos de oposição ao atual governo têm argumentos de sobra para justificar essa tese. A expansão do ensino superior está acontecendo principalmente por causa das instituições privadas. Elas representavam cerca de 30% ou 40% do total de alunos na década de 60. Hoje, já chegam a quase 70% do total. Por último,
se privatizar significa cobrar mensalidades, pode se dizer que, sim, a
uma intenção de se fazer isso, mas ninguém tem coragem
de apresentar essa proposta agora. Pode ser que esse assunto seja debatido
no próximo governo. Esse, no entanto, apesar de parecer favorável
a tese, não vai querer mexer em assunto tão polêmico. |
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