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O título acima, obviamente, não passa de uma provocação. Mas chama a atenção para um fenômeno que está acontecendo no ensino básico brasileiro: o da desigualdade de gêneros invertida. Na semana passada, o IBGE divulgou dados que mostram que, na década de 90, a situação da mulher na educação já é melhor do que a do homem. Em 1992, a taxa de analfabetismo entre mulheres era maior do que a entre os homens. Em 1999, a desigualdade se inverteu, a favor das mulheres. A notícia é boa e mostra que, pelo menos no campo da educação, estamos conseguindo diminuir a desigualdade entre homens e mulheres. No ensino superior, as mulheres já são maioria no Brasil. Até ai, nada grave, pois o fenômeno acontece em quase todos os países desenvolvidos e a principal causa é a necessidade do homem de entrar mais cedo no mercado de trabalho do que a mulher. Há, no entanto, um elemento preocupante. Quando analisamos a taxa de escolarização entre homens e mulheres até 14 anos, percebemos que a diferença a favor das mulheres é grande. Na faixa etária entre 10 e 14 anos, a taxa de analfabetismo dos meninos (7% em 1999) é quase o dobro da das meninas (4%). No caso brasileiro, a diferença começa já no ensino fundamental e médio, quando a porcentagem de mulheres e homens deveria ser igual, já que a educação básica é um direito de todos os brasileiros. Na Conferência Mundial de Educação, realizada no Senegal em abril de 2000, o documento que o governo brasileiro apresentou falava na necessidade de diminuir as desigualdades de gênero, que indicavam "um preocupante fenômeno de exclusão de gênero invertida, pois revelam que os meninos e adolescentes estão abandonando precocemente a escola". Há poucas pesquisas sobre o assunto. A violência urbana pode estar por trás disso, já que atinge mais os jovens do sexo masculino. O trabalho no crime organizado é também algo que atrai mais os meninos do que as meninas, que podem abandonar a escola para buscar status ou dinheiro no tráfico. Além disso, há também a questão da repetência, que atinge mais os homens do que as mulheres. Eles, desmotivados após a repetência, tendem a abandonar a escola mais do que as mulheres, que têm rendimento na escola melhor. Além das explicações externas, a escola precisa também se preocupar com as causas internas dessa exclusão. Maria Helena Castro, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), chama a atenção para outra questão: será que a preponderância de professores e estudantes do sexo feminino não têm influência no rendimento dos estudantes homens?" Resposta pronta para
essas perguntas ainda não há. Mas é necessário,
sem dúvida, estudar a questão mais a fundo.
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