| ||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Quando uma notícia sempre se repete, nós, jornalistas, costumamos brincar que podemos já escrever um texto e deixar apenas espaços em branco para atualizar datas, personagens e locais. De resto, o tema é sempre o mesmo. O assunto venda de diplomas ilegais é um desses exemplos. Em 2000, fiz uma reportagem em que, atraído por anúncios de jornal que prometiam diplomas com facilidade, me matriculei em um curso na periferia de São Paulo e fui orientado pelo dono do curso a deixar todas as respostas de uma prova em branco. Paguei adiantado R$ 500 para ter um diploma de uma escola no Mato Grosso do Sul, mesmo sem nunca ter colocado os pés naquele estado. A reportagem mostrava como era fácil, em São Paulo, conseguir diplomas registrados nas Secretarias de Educação de algum Estado de forma ilegal. Duas semanas depois de acabar a reportagem, fui à casa de uma amiga que tinha uma coleção da revista Realidade, uma das maiores revistas de reportagem brasileira da década de 60 e 70. Em uma das edições, estava lá na capa a mesma reportagem: 'nosso repórter comprou um diploma mesmo sem ter feito nenhuma prova'. Na semana passada, o assunto voltou a tona, com a notícia de que o Ministério Público de Minas Gerais havia instaurado inquérito para investigar três escolas acusadas de venda de diploma. A maneira de atrair os clientes era a mesma: anúncios em classificados de jornais, provavelmente próximos dos anúncios de empregos. A oferta de diplomas ilegais sempre existirá enquanto houver procura. Não há poder público capaz de fiscalizar pequenos escritórios que fazem anúncios minúsculos em jornais oferecendo facilidades para incautos. A facilidade com que esses picaretas atraem incautos é reflexo da cultura do diploma do Brasil. Quem busca essa facilidade sabe que encontrará um empregador que o avaliará apenas pelo currículo. Aos poucos, num cenário ideal, as pessoas deixarão de comprar diplomas porque saberão que o simples pedaço de papel não ajudará ninguém a subir na vida. O importante será o conteúdo. Já é assim em muitas empresas, mas, se há diplomas à venda, é porque há aqueles que os aceitam independente da capacidade da pessoa cujo nome está naquele pedaço de papel.
|
| ||||||||||||||||||||||||||||||