| ||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Falar de cotas na universidade no Brasil é certeza de criar polêmica. Todo mundo tem uma opinião - e tem certeza de que está com a verdade. Os que as defendem não entendem como alguém pode ser contra uma idéia tão justa. Os que as criticam não entendem como alguém pode defender uma tese tão absurda. Difícil mesmo é achar quem está no meio termo, discutindo o assunto sem paixões ou verdades absolutas. Para os que defendem, os que criticam ou os parcos que estão no meio termo, é fundamental neste momento prestar atenção na experiência da Uerj, a primeira universidade de grande porte no Brasil a incluir a reserva de vagas em seu vestibular. Na semana passada, a instituição divulgou as notas de corte e as listas de classificados dos alunos que entraram pelo sistema tradicional, pelo critério de 50% de vagas para oriundos da escola pública e pela reserva de 40% para negros ou pardos. O primeiro resultado já era esperado: os estudantes que entraram pelas cotas tiveram notas inferiores aos demais. Isso era absolutamente previsível, até porque esse é o objetivo das cotas: dar chance aos que, normalmente, não conseguiriam entrar na universidade pelo vestibular tradicional. O que preocupa é que, em alguns cursos, a distância entre os cotistas e os demais foi muito grande. Em odontologia, por exemplo, o último classificado do vestibular tradicional fez 77,5 pontos sobre 100. Já o último aluno a entrar por cotas teve nota 6,25, uma nota de corte 11,4 vezes menor do que a nota do vestibular tradicional. A partir do momento em que, na Uerj, as cotas viraram já fato consumado, surgiu uma unanimidade entre acadêmicos, representantes do movimento negro e defensores, em geral, das cotas. O ponto em que todos concordam é que, sem uma política de apoio a esse estudante, o resultado das cotas pode ser desastroso. Estamos partindo de uma premissa: os estudantes que entraram pelas cotas são menos preparados do que os demais. Para quem critica a cota, esse é um elemento já suficiente para mostrar que alguma coisa está muito errada. Para os que defendem, a luta para mostrar que a cota foi uma boa idéia começa agora. Se a universidade se preparar e dar um atendimento especial a esse aluno, ele poderá sair da universidade no mesmo nível dos demais, provando que as cotas cumpriram seu papel de estimular a mobilidade social e incentivar a democracia racial. É por isso que é fundamental acompanhar a experiência da Uerj pelos próximos quatro anos.
|
| ||||||||||||||||||||||||||||||