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Missão de alfabetizar A história do pastor batista Adval Vale, que criou uma cartilha de alfabetização utilizada com sucesso há mais de 30 anos em igrejas evangélicas, pode ser analisada pelo lado positivo ou negativo. O positivo é falar de sua dedicação e da de milhares de voluntários na luta por um princípio básico de cidadania: aprender a ler e escrever. O negativo é que o trabalho desenvolvido pelo pastor e seus voluntários deveria estar nas mãos de gente preparada (professores) que ganhasse (bem) para cumprir com esse dever do Estado. Adval já dedicou 31 de seus 74 anos à arte de alfabetizar. A maioria dos beneficiados com seu método são pessoas humildes que começaram a frequentar igrejas evangélicas no Brasil e, motivados principalmente pela vontade de entender a Bíblia, decidiram aprender a ler. Desde 1960, o método de Adval, a cartilha Aprenda a Ler e Escrever em 90 dias, já chegou a sete Estados brasileiros e ao Chile. Pela estimativa de Adval, cerca de 15 mil pessoas podem ter aprendido a ler com seu método. Mas ele mesmo admite que não há como precisar esse número, que pode chegar a 20 mil. A dedicação de Adval é louvável. No entanto, há um detalhe nessa história que deveria preocupar os educadores de todo o país: Adval criou seu método sem ter formação para isso. A cartilha que ele criou não passou sequer pelo crivo do MEC ou de alguma secretaria de educação. Somente em 1980, o pastor decidiu fazer o curso de Letras. Ainda hoje, no entanto, os professores que utilizam seu método são voluntários das igrejas evangélicas, a maioria, sem formação em faculdades de pedagogia ou em cursos médios normais. O sucesso do método de Adval cresceu justamente no espaço deixado, irresponsavelmente, pelo poder público. Que fique bem claro: a dedicação de Adval e de todos os voluntários que ajudaram a propagar o seu método é, na minha opinião, louvável, digna de elogios e de tudo o mais que for possível. O que não se pode, no entanto, é achar que isso é normal. Não é. Normal seria que o poder público fosse competente o suficiente para oferecer aulas de alfabetização com professores preparados para isso.
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