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As carteiras estudantis da UNE voltaram à pauta dos jornais por causa de uma medida provisória do ministro Paulo Renato Souza, da Educação, acabando com o monopólio da entidade na emissão dos documentos e, mais recentemente, por causa de denúncias feitas ao Ministério Público do Rio de Janeiro sobre desvio de verbas na entidade e facilidade de obtenção de documentos. É positivo que o assunto venha à tona, já que, por ser um direito de todos os estudantes do Brasil, é necessário cobrar, saber mais como se gasta o dinheiro arrecadado com as vendas e, principalmente, se há ou não fraudes no uso desses recursos, que renderam à UNE em 2000 quase R$ 2 milhões. No entanto, é preciso ter um pouco de cuidado ao ler as notícias. Não há dúvidas que se trata de um jogo político, onde, de um lado está o PSDB do ministro Paulo Renato e dos estudantes que denunciaram a entidade ao ministério público, e, de outro, está a UNE, onde o partido hegemônico na entidade é o PC do B, seguido de forças como o PT e PSTU, os que mais fazem oposição ao governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. Qual a urgência de se estabelecer, por meio de medida provisória, o fim do monopólio da UNE? Nesse mesmo espaço, já defendi o fim desse monopólio, por considerar que o estudante não é obrigado a se sentir representado por uma diretoria da UNE cujos slogans mais comuns são Fora FHC e Fora FMI. No entanto, decidir isso de cima para baixo é, sem dúvida, mais uma ação do jogo político. Não concordo com o argumento de boa parte da diretoria da UNE, que defende que esse debate deve acontecer apenas no movimento estudantil. O debate da carteirinha não pode ser monopolizado pelas correntes políticas que atuam e decidem os rumos da entidade. Considero justo que ele ocorra no Congresso Nacional, por meio de projeto de lei que possa ser melhor discutido, dando voz à direção da UNE e a estudantes contrários ao monopólio e cobrando das entidades estudantis prestações de conta sobre o dinheiro arrecadado. Trocando em míudos, a decisão de acabar com o monopólio da UNE me parece justa, mas não dá para concordar com a forma como ela foi feita. Levar o assunto ao congresso nacional poderia ser uma boa oportunidade de chamar para o debate estudantes que não se sentem representados pelas correntes políticas que atuam na entidade. O assunto deixaria de ser mais um passo do jogo político para ser, enfim, discutido num ambiente onde estudantes (não só as que militam na UNE) poderiam ser ouvidos. |
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