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O Brasil foi o último lugar no Pisa, um teste feito com outros 31 países para avaliar o nível do ensino. As médias dos alunos no Enem caíram de 2000 para 2001. Os resultados do Saeb também mostraram, no ano passado, que houve uma queda na nota média dos alunos de 1997 para 1999. Os resultados acima são, sem dúvida nenhuma, péssimos, vergonhosos, inaceitáveis ou qualquer adjetivo que se queira usar para demonstrar a insatisfação com o nível da educação brasileira. No entanto, é preciso reconhecer um mérito deles: nós só podemos criticar o governo Federal hoje com base em números porque eles existem. Há dez anos, ninguém ouvia falar de Pisa, Enem ou Saeb. Hoje, já temos instrumentos que, apesar de ainda precisarem ser aperfeiçoados, nos ajudam a ter um retrato melhor do ensino brasileiro. Inclusive quando precisamos dele para criticar a política do governo Federal ou dos governos estaduais. Vale lembrar que ninguém do atual Ministério da Educação descobriu a pólvora. O Saeb, por exemplo, começou a ser implementado em 1990. As avaliações internacionais entre países já eram feitas há anos, e o Brasil acabou entrando até tardiamente nelas. Muito tem se falado sobre as análises dos resultados do Saeb. Em sua coluna neste site, o repórter Gilmar Piolla, um dos que mais entendem de educação no país, critica o governo Federal pelos resultados e pela maneira com que eles são apresentados, tentando, segundo Piolla, tornar mais palatável para a sociedade o desastre evidenciado Para quem quiser fazer um contraponto às críticas de Piolla, sugiro a leitura de dois artigos: um do sociólogo Simon Schwartzman no Globo de 12/12 e outra do ministro Paulo Renato Souza na Folha de S. Paulo de 11/12. Não quero entrar aqui na polêmica sobre qual a análise correta dos resultados. Destaco, no entanto, dois pontos positivos. O primeiro, já citado aqui, é o próprio fato de existirem essas avaliações e de elas serem mostradas, mesmo quando os resultados são péssimos. O outro ponto que destaco como positivo é a reação da sociedade. Por mais que o ministro use argumentos para justificar esse resultado, a sociedade se indignou com isso. A maioria das cartas de leitores nos jornais, por exemplo, mostra que o último lugar nas avaliações internacionais é uma notícia vergonhosa, que causou indignação nos leitores. O fato de sermos um país em desenvolvimento, com todos os indicadores sociais abaixo dos países desenvolvidos (e não apenas os de educação) não deve servir para acomodação. Se houvesse conformação com esse fato, teríamos todas as razões para pessimismo. Um governo se move, principalmente, a base de pressões. Um exemplo: alunos carentes (que o governo responsabilizou pela queda nas notas médias do Enem) só conseguiram fazer o exame porque, em 2000, criticaram o ministro por não ter oferecido gratuidade. O resultado do Enem mostrou a péssima qualidade da educação porque um grupo de estudantes carentes (liderados por um frade franciscano que organiza cursos pré-vestibulares comunitários, o Frei Davi) foi à justiça exigir do governo que incluísse os pobres nas avaliações do Enem, até então restritas aos que podiam pagar a taxa de inscrição no exame. Com os pobres tendo direito ao exame, o resultado mostrou a verdadeira face da educação brasileira, e ninguém gostou dela. Ainda bem. Como lembrou Piolla, bem que poderíamos nos indignar tanto com esse último lugar em um teste internacional de educação quanto nos indignaríamos caso ficássemos em último lugar na Copa do Mundo de Futebol. Mas é bom destacar também que o fato de termos nos indignado e não aceitarmos as justificativas oficiais (sendo elas justas ou não) mostrou que a sociedade tem mais maturidade. Estamos em último lugar, mas queremos ficar próximos da Finlândia, primeira colocada no teste. Vai demorar muito para chegarmos lá. Talvez isso demore gerações para acontecer, mas só é possível ver luz no fim do túnel caso a sociedade sempre pressione, se envergonhe com os péssimos resultados e pressione por melhorias. Tomara que esse ministro da Educação e os próximos continuem tendo dores de cabeça ao receberem críticas pelos baixos desempenhos dos nossos alunos. Enquanto existirem as críticas, será um sinal de que avançaremos. Se elas sumirem um dia, será um sinal de que teremos nos acomodado. Como disse certa vez o presidente John Kennedy, governar é arte de administrar pressões. |
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