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Dados divulgados na semana passada pelo IBGE mostram o quanto é difícil diminuir efetivamente a desigualdade num país acostumado a 500 anos de injustiças sociais. O governo federal vem comemorando, merecidamente, o fato de ter incluído os alunos mais pobres, de 7 a 14 anos, no ensino fundamental. Como disse aqui na coluna passada, a porcentagem dos alunos das famílias mais pobres do país (pertencentes aos 20% mais pobres da população) que estavam fora da escola caiu de 25% para apenas 7%. Ainda falta mais um esforço para incluir todos, mas o feito é, sem dúvida, notável. O problema é que isso só não basta para reduzir a desigualdade no ensino fundamental. Dados do IBGE relativos a 2001 mostram que, uma vez na escola, os alunos mais pobres e os mais ricos têm aproveitamento totalmente distinto. Os alunos que vivem em famílias cuja renda por pessoa é de menos de meio salário mínimo entram na primeira série, destinada aos sete anos, já atrasados. Quase um quinto deles (18,7%), segundo o IBGE, estão em idade superior ao indicado para essa idade. Entre os estudantes que vivem em famílias onde a renda per capita é de mais de dois salários mínimos, essa porcentagem é a metade: 9,3%. Se a defasagem idade série, cujas causas são a repetência e a evasão, já é diferenciada por classe social no início do ensino fundamental, lá na ponta fica maior ainda. Aos 14 anos, 85,1% dos estudantes mais pobres estão atrasados com relação a série indicada para essa idade: a oitava série. Entre os mais ricos, a taxa é muito menor: 29,6%. A repetência é a principal causa na queda do rendimento de um estudante, como bem mostrou o Saeb (Sistema de Avaliação do Ensino Básico do MEC), que eu comentarei na próxima coluna. Se o país quiser enfrentar seriamente o problema da desigualdade educacional, terá que investir pesado na qualidade da educação. E isso significa diminuir, sem truques ou maquiagens, as absurdas taxas de repetência que atingem principalmente as crianças mais pobres. Conseguimos avançar no acesso ao ensino fundamental, mas não dá para ficar olhando para trás se orgulhando de uma tarefa feita pela metade. A universalização do acesso ao ensino de 7 a 14 anos é condição fundamental para um passo mais importante: a garantia de uma escola de qualidade para todos.
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