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Em cada área do novo governo Lula, já começam a aparecer as prioridades de cada ministério. Na educação, o principal foco que veio a tona, até o momento, é o combate ao analfabetismo adulto no país. O tema dominou a posse do novo ministro, Cristovam Buarque. A meta do PT é das mais ambiciosas, pois fala em erradicar o analfabetismo do Brasil no prazo de quatro anos. Nenhum país
de grande porte no mundo conseguiu chegar perto disso. Ouvindo especialistas
para uma reportagem na Folha de S. Paulo, percebi que há um clima
de ceticismo ou de provável frustração caso o governo
não consiga chegar a esse objetivo. Abolir ou erradicar com o analfabetismo no Brasil significa, nos próximos quatro anos, ensinar 16 milhões de brasileiros (mais do que a população inteira do Chile) a ler e escrever. Esses brasileiros são, em média, mais pobres, mais velhos e moradores das regiões rurais ou periferias das grandes cidades do Nordeste. Chegar perto da erradicação já é um desafio e tanto. Outras campanhas de alfabetização em massa de adultos, no passado, deram com os burros n'água. Ou os adultos não se interessavam, ou as aulas não chegavam aos que precisavam, ou os professores usavam métodos pouco eficientes. Mesmo quando um aluno conseguia completar o curso, ocorria o que os especialistas chamavam de reversão. O adulto completava o curso do Mobral, por exemplo, ganhava um certificado, mas, após um ano, voltava ao mesmo curso porque já tinha esquecido tudo, ou quase tudo, o que aprendera. O Alfabetização Solidária, por exemplo, programa apoiado pelo governo federal passado, falava em "sensibilizar" os adultos para a alfabetização durante cinco ou seis meses. O novo governo fala em alfabetizar em três meses, tempo que alguns especialistas consideram muito curto para uma alfabetização de qualidade. Esse mesmo clima de ceticismo agora, no entanto, pode ajudar a coroar no futuro uma vitória do governo Lula e do ministro Cristovam Buarque. O Brasil poderá entrar para a história e virar modelo para os países em desenvolvimento. Assim como viramos
referência no combate à Aids, se chegarmos ao final de 2006
com, pelo menos, 10 milhões de analfabetos a menos no país,
vão chover especialistas do mundo inteiro para descobrir a "vacina"
brasileira contra o analfabetismo. |
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