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No domingo passado (9/06), os estudantes realizaram o último Provão da gestão Paulo Renato Souza. Passados sete anos de exames, já é possível fazer uma avaliação mais concreta de mitos, verdades e grandes besteiras que se falava sobre o Provão. Eis algumas delas: Dizia-se que o Provão serviria para prejudicar as universidades públicas e beneficiar as universidades particulares, que se beneficiariam com as notas altas no exame e fariam pressão para a privatização do ensino superior público. Essa, na minha opinião, pode ser classificada como a maior besteira já dita, já que o que o exame mostra é justamente o oposto. No sentido oposto, dizia-se que o Estado brasileiro gastaria muito dinheiro para mostrar algo que todos já sabiam: as universidades públicas são, em média, muita melhores do que as particulares. Essa afirmação é em parte verdadeira. Argumentava-se também que uma prova não pode ser o único instrumento de avaliação de todo um processo de ensino superior. A meu ver, essa é uma crítica que ainda persiste. O MEC alega que faz também a avaliação levando em conta a visita de técnicos aos cursos. Essa visita realmente existe, mas desde que o exame foi criado é difícil entender os critérios dessa avaliação. Em um curso de jornalismo, por exemplo, de que adianta ter 100% de professores com doutorado se nenhum trabalhar em alguma redação de grande jornal? Em alguns casos, os critérios de avaliação precisam levar em conta a experiência profissional do corpo docente, o que nem sempre é feito. Além de o critério não ser claro, e de já ter passado por modificações, no final das contas o que fica na memória da sociedade é a nota dos alunos no exame. Ou seja, a faculdade pode ter o melhor corpo de professores e as melhores instalações possíveis, mas, se trabalhar com alunos que passam por vestibulares menos competitivos, pode ser punida por causa da nota baixa do aluno em comparação a cursos onde os alunos passam por vestibulares mais competitivos e, consequentemente, já entram mais preparados. Pode também ser vítima de boicote de estudantes que, legitimamente, não concordam com essa avaliação, como é o caso dos representantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) e da Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social). O presidente da Andifes (entidade que representa os dirigentes de universidades federais), Mozart Vieira, defende que, para diminuir o custo do exame, poderíamos avaliar cursos com sucessivas notas boas em periodicidade maior do que anual. O coordenador do Provão, Tancredo Maia Filho, argumenta que o exame não é caro, se levarmos em conta a quantidade de informação que ele presta à sociedade e à própria instituição, que pode, com base no relatório de cada curso, atuar na resolução de problemas detectados. Apesar desses defeitos e de algumas modificações necessárias, me parece que o Provão tem um grande mérito: dar um parâmetro para o aluno exigir qualidade do curso. A nota baixa pode ser injusta às vezes, mas quase sempre faz com o estudante cobre explicações da universidade, exija modificações e participe do processo de melhoria da qualidade do ensino superior. A avaliação dos cursos de ensino superior é um caminho sem volta. Só não sabemos é se devemos continuar com os mesmos critérios usados atualmente. Para quem quiser se aprofundar no assunto e ler opiniões diversas sobre o tema, sugiro a visita aos seguintes sites: - UNE - (http://home.estudantenet.com.br/home/) Enecos - (http://www.enecos.org.br) Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) - (http://www.inep.gov.br) Anup (Associação
das Universidades Particulares) - (http://www.anup.com.br)
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