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Avaliar nossas escolas nunca foi o forte do Brasil. Mas de uns anos para cá, mais precisamente a partir da década de 90, acabou virando rotina. A principal causa dessa mudança são as avaliações oficiais do MEC, como o Saeb, o Enem, o provão e de diferentes governos estaduais. Além das avaliações oficiais, no entanto, a imprensa brasileira, copiando uma mania da americana, decidiu também fazer as suas avaliações. A mais recente foi feita pela revista Veja em suas edições de São Paulo e Rio, aquelas de apelido "vejinha". Como era de se esperar, o resultado foi comemorado pela maioria das escolas bem avaliadas e ferozmente criticado pelas que ficaram de fora do "ranking" das 50 melhores. É sempre assim, não importa o critério usado. Lembro-me que, quando trabalhava no jornal O DIA, foi feito um ranking das dez melhores escolas, usando como critério uma pesquisa de opinião entre pais de alunos na cidade do Rio. As melhores escolas lembradas pelos pais na pesquisa emolduravam as matérias e faziam propagandas divulgando o feito, e as piores não paravam de ligar logo após a matéria ter sido publicada contestando os critérios utilizados. Exatamente o mesmo acontecido com a revista Veja. Os critérios que adotávamos no Dia estavam longe de serem perfeitos, assim como os adotados pela Veja. Mas, apesar das imperfeições, acho que a imprensa cumpre seu papel quando elabora seus rankings de melhores e divulga seus critérios. O choro das escolas que ficaram de fora é compreensível, mas acho difícilalguma se sentir prejudicada com as listas que trazem as melhores. Apontar as piores seria, sem dúvida, uma leviandade da imprensa. Mas ao sugerir as melhores, a imprensa nada mais faz do que sugerir aos pais uma comparação. Há quem veja na imprensa um poder maior do que o que ela realmente tem. Duvido que algum pai tenha decidido tirar o filho de uma escola só porque ela não apareceu no ranking da Veja. O mais provável é que, ao ver que sua escola não foi lembrada, ele resolva cobrar os diretores ou comparar a qualidade do ensino de sua escola com a das melhores indicadas pelo ranking. O pai certamente vai visitar antes a escola indicada como melhor. Pode chegar lá e concordar com a avaliação da imprensa e perceber que ela é, realmente, melhor do que a que escolheu atualmente. Pode também conferir, com os próprios olhos, que a revista errou ao sugerir determinada instituição de ensino e não colocar a escola de seu filho no ranking das melhores. Nos dois casos, a imprensa terá cumprido seu papel e incentivado para melhor a escolha do pai, independente do grau de imperfeição de sua avaliação. As avaliações são positivas, disso não tenho dúvida. As críticas que elas geram podem ser olhadas com respeito pelos jornalistas e usadas para aperfeiçoar esses levantamentos, apesar de eu acreditar que eles nunca serão perfeitos e unânimes. PS - Para quem quiser
se aprofundar no assunto, sugiro a leitura da |
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