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A quem interessa uma universidade pública
elitista? Foi essa a pergunta que eu me fiz ao ler a notícia, nos
principais jornais de São Paulo (Leia reportagem da Folha
de S. Paulo e do Estado
de S. Paulo ), de que um grupo de alunos da Unesp invadiu uma reunião
do Conselho Universitário para protestar contra o projeto de expansão
da Unesp para oito municípios Os estudantes têm todo direito de protestar (desde que dentro das regras do jogo democrático) e fizeram bem ao levar sua preocupação com relação aos planos de expansão. É preciso ter garantias de que o projeto vá assegurar a qualidade do ensino para os que já estão na universidade e para os que vão ter novas oportunidades com a expansão dos campi. É também uma norma do jogo em qualquer universidade democrática que os estudantes tenham voz no conselho e participem das decisões da instituição. Nesse ponto, mais uma vez, acredito que a reivindicação dos estudantes tenha sido justa. No entanto, fica difícil entender como alguém pode adotar uma postura contra a expansão da universidade. Foi isso que os estudantes fizeram ao invadir a reitoria da Unesp. Eles certamente também lutam por uma universidade pública, gratuita e mais democrática do que a atual. No entanto, o efeito foi o contrário: eles podem estar colocando em risco a esperança de milhares de jovens que sonham ter mais chances de entrar na Unesp, ao barrar as votações sobre a expansão. Para cada aluno da Unesp que consegue entrar na instituição, há pelo menos dez do lado de fora. As estatísticas do vestibular da Unesp mostram que os estudantes que estão lá dentro não podem ser considerados de elite, mas são, sem sombra de dúvida, mais ricos do que os que ficaram de fora. Esses de fora deveriam ter o direito de protestar também e exigir que a universidade chegue até eles. A preocupação dos estudantes
com a qualidade é legítima. Mas ela não deve atrasar
os planos, mais do que necessários, de expansão da universidade
pública. |
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