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Na última coluna, cometei aqui a proposta sobre a ampliação do ensino fundamental de oito para nove anos. Além dessa proposta, o MEC discute também ampliar de três para quatro anos o tempo do ensino médio. A ampliação do tempo do ensino fundamental é um tema mais complexo, que divide opiniões e que, para virar realidade, vai precisar de mais recursos para o ensino. A grande dificuldade para a expansão do ensino médio está na falta de professores para isso. Dados que pesquisei para uma reportagem publicada na Folha mostram o tamanho do desafio. O primeiro entrave para a expansão do ensino médio é que, diferentemente do que ocorre no ensino fundamental, as matrículas não param de crescer. De 1996 a 2002, a taxa média de crescimento foi de 7,4% ao ano. Nesse período, foram incluídos mais 3 milhões de alunos. É gente que, felizmente, está conseguindo concluir o ensino fundamental e continua a estudar e adolescentes que, após abandonarem a escola, voltam a estudar em busca de melhores condições de empregabilidade. O problema é que, hoje, já há falta de professores especializados para dar aulas para alunos do ensino médio. Segundo levantamento realizado pelo MEC, o déficit de professores hoje é de 254 mil professores, principalmente nas áreas de matemática, física, química e biologia. Se já há carência de professores hoje, como fazer para ampliar ainda mais um nível de ensino que sofre com a falta de mestres? Essa estimativa pode ser feita levando em conta o número de alunos que se formam no ensino médio, que é de 1,85 milhão. Para que esses estudantes tenham aulas com um professor por turma de 40 alunos, seria necessário contratar mais 46 mil professores. Ampliar o ensino médio para quatro anos, no papel, parece ser uma boa idéia, apesar de não ser tão unânime no meio educacional quanto a proposta de ampliação do ensino fundamental. O problema é que os obstáculos são muito grandes a curto prazo, e há quem defenda _ não sem uma ponta de razão _ que é preciso se preocupar primeiro em melhorar a qualidade do ensino nos três anos do ensino médio antes de pensar em vôos mais altos. É, sem dúvida, um bom argumento para a discussão. |
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