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Em entrevista na semana passada ao jornal O Estado de São Paulo, o secretário de ensino superior do MEC, Carlos Roberto Antunes dos Santos, defendeu um esforço das universidades para preencher suas vagas ociosas. Nas contas do ministério, há cerca de 200 mil vagas nas universidades federais que poderiam ser preenchidas. O esforço para preencher essas vagas é mais do que necessário. Num país extremamente carente de vagas gratuitas no ensino superior como o Brasil, ter vagas ociosas em universidades federais significa um escandaloso desperdício do dinheiro público. Fazendo uma conta por alto, se formos levar em conta que um estudante de nível superior público no Brasil custa R$ 8.201 por ano (segundo a Unesco), o país pode estar jogando pelo ralo R$ 1,64 bilhões a cada ano. Só para se ter uma idéia, esse valor é o triplo do que o ministro Cristovam Buarque estima ser necessário, por ano, para acabar com o analfabetismo no Brasil. É óbvio que precisamos levar em conta também que não basta jogar 200 mil alunos no sistema das universidades federais hoje. É preciso estudar caso a caso, para saber onde é necessário contratar mais professores e onde bastaria cobrar uma gestão mais eficiente e menos burocrática das universidades. É preciso também ter critério na hora de expandir essas vagas. Hoje, por exemplo, o país precisa mais de professores do que de médicos. Precisa mais de cursos noturnos _ onde estudam universitários com menor poder aquisitivo _ do que diurnos. Precisa de mais vagas no Norte e Nordeste do que no Sudeste. Mesmo sendo necessária a contratação de professores em algumas unidades, o custo da expansão do ensino superior gratuito por meio da redução da ociosidade seria ínfimo, se comparado com a necessidade de expansão do sistema. A idéia de diminuir a ociosidade das universidades federais é tão boa _ e óbvia _ que chega a ser difícil entender porque ela ainda não foi colocada em prática. Nesse caso, a culpa não pode ser jogada apenas nos ombros do MEC. Como mostrou o colunista deste site Gilmar Piolla, a UFPR (Universidade Federal do Paraná), da qual Antunes foi reitor, conseguiu fazer esse levantamento e vem fazendo um esforço para ocupar essas vagas. A mesma iniciativa começou a ser feita também na UFRJ, na gestão do reitor licenciado Carlos Lessa. Como Piolla mostrou em sua coluna, iniciativas como essa encontram também resistência de parte da comunidade acadêmica, que temem uma queda da qualidade no sistema. A defesa da qualidade é legítima, mas, quando ela é suficiente para barrar a expansão das vagas nas universidades públicas, alguma coisa está errada. |
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