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O jornal O DIA do domingo passado (15/09) trouxe interessante reportagem sobre o passado escolar de Fernandinho Beira-Mar. A reportagem mostra que o mais famoso criminoso do Rio era bom aluno e já apresentava espírito de liderança desde pequeno. A história de Fernandinho Beira-Mar mostra que não adianta tirar as crianças do crime para colocá-las na escola. As escolas em áreas de risco, onde o tráfico já faz parte do cotidiano de crianças de 12 anos, deveriam ser aquelas com os melhores professores, com mais atividades integrais, com mais acompanhamento personalizado de cada um dos estudantes. O problema não é mais oferecer escolas para todas as crianças. Os prédios públicos existem em quase todas as favelas e não faltam professores para dar aula. O problema que se coloca é qual escola oferecer para que uma criança com as características de Beira-Mar seja cooptada não pelo tráfico, mas para ser um exemplo de superação apesar da diversidade. Muito se comenta nas ruas do Rio, um pouco como chacota, um pouco seriamente, que, se não fosse criminoso, Fernandinho Beira-Mar poderia ter se transformado em uma liderança comunitária importante ou um empresário bem-sucedido. É difícil convencer um adolescente que já está no tráfico de drogas a sair dele. Uma criança de 10 anos, que estava no sistema escolar desde a creche, no entanto, ainda pode ser persuadida por uma escola preparada, com condições de incentivá-la a seguir outro caminho. É óbvio que, para que isso aconteça, não basta a escola fazer sua parte. Os professores precisariam ser preparados e estimulados a entrar todo dia em uma zona de perigo para dar aula. Fora do horário da escola, essas crianças deveriam estar preenchendo seu tempo ocioso com atividades esportivas, culturais e pedagógicas. Nos fins de semana, a escola teria que estar presente também, atraindo o aluno com atividades que o envolvessem e o estimulassem. Cada professor deveria conhecer seu aluno pelo nome, pela sua história de vida, e ajudar não apenas no estudo, mas também em seus problemas pessoais. Não bastasse isso tudo, os jovens
e crianças deveriam, desde cedo, ter acesso a programas de geração
de renda, que mostrassem que, com a devida qualificação,
é possível ganhar dinheiro de outra maneira que não
apenas a do tráfico. Certamente, um projeto educacional completo como esse custaria caro, muito caro. Ainda assim, me pergunto se talvez ele não fosse mais barato do que o custo _ até agora inútil _ que o poder público tem gerado para isolar Beira-mar e outros bandidos perigosos, equipar a polícia, alugar helicópteros e dirigíveis ou construir presídios com bloqueadores de celular. Isso sem falar no custo social das vidas
perdidas, do terror que o crime organizado gera, dos turistas que deixam
de vir para o Brasil por causa da violência...
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