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No início deste mês, o MEC divulgou os resultados do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico), o exame que mede, a cada dois anos, a qualidade da educação brasileira. Assim como no exame de 1999, a grande discussão é até que ponto a inclusão de alunos pobres no sistema educacional pode explicar a queda ou a estabilidade na qualidade da nossa educação, que já é muito aquém da desejada. Em 1999 e, mais recentemente, em 2001, a inclusão desses estudantes foi a principal explicação dada pela equipe do MEC para a queda nas notas médias dos estudantes. A inclusão dos mais pobres é um fato incontestável. Os alunos que vêm das famílias mais carentes agora estão tendo acesso e ficando mais no sistema educacional do que antes. Em uma reportagem para a Folha, ouvi alguns especialistas sobre o assunto que divergiam sobre o impacto dos mais pobres na nota média dos alunos. O pesquisador João Batista Oliveira, consultor de diversos Estados na área de Educação, acha que isso não explica a queda na qualidade. Disse ele: "É leviandade sem qualquer fundamento estatístico atribuir a queda das notas dos alunos à inclusão de mais alunos no sistema educacional. Os dados, da forma com que são apresentados, não permitem essa conclusão. Não existe uma incidência estatisticamente importante de novos alunos em uma determinada série, e a quantidade total de novos alunos não teria condições de influenciar a média nesse nível." Para a pesquisadora da PUC do Rio, Alicia Bonamino, não há como contestar que alunos de famílias mais pobres costumam ter notas menores. Como explica Alicia, há uma lógica nisso: pais mais pobres, em geral, têm menos escolaridade. Tendo menos escolaridade, têm também menos costume de leitura. Influenciando ou não a nota média dos estudantes, a questão mais importante talvez seja lembrar que a escola, mesmo com alunos pobres, tem capacidade para superar as dificuldades dessas crianças e colocá-las no mesmo nível dos demais. "As pesquisas
mostram que algumas atitudes da escola influenciam positivamente o desempenho
dos alunos mais pobres. Essa constatação é importante
porque tira o foco da discussão sobre o problema do aluno e põe
na escola", afirma Alicia. |
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