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Na última coluna que escrevi critiquei estudantes de direito que, no dia 11 de agosto, costumam fazer o pendura, ou "pindura", como alguns chamam. Escrevi que a tradição de não pagar a conta em restaurante é um hábito inaceitável. Recebi alguns comentários de estudantes de direito sobre o assunto, e copio, abaixo, um dos e-mails que recebi, do estudante Alexandre Tundisi, de São Paulo: "Gostaria de fazer um pequeno comentário em relação à sua última coluna publicada neste site. Gostaria que o senhor olhasse para a origem dessa tradição, o "pindura". Alguns restaurantes do centro da cidade resolveram presentear, no início do século, estudantes do largo de São Francisco ofertando refeições gratuitas no dia "XI de agôsto", dia do aniversário da faculdade, e, hoje, dia do estudante (o que muitos acabam esquecendo). Esquecem também de lembrar a importância histórica da faculdade no desenvolvimento da cidade de São Paulo, e que essa tradição do "pindura" limitar-se-ia aos estudantes da mesma, o que não é respeitado pelos demais estudantes de direito. Portanto, nem foi uma tradição criada pelos estudantes, nem trata-se de estudantes que estão acima da lei. Nada disso. Hoje, ainda, muitos donos de restaurantes sentem-se satisfeitos em poderem perpetuar tal tradição - embora o senhor possa não acreditar, mas como eu mesmo já pude testemunhar diversas vezes. Para alguns, é maneira de mostrar-se simpático a alguns clientes assíduos, ou ganhar novos clientes. Note que se tornou tradição também algumas livrarias do centro da cidade, como a Livraria Saraiva, no 11 de agosto, ofertarem livros gratuitos aos seus futuros clientes advogados ou operadores do Direito. Eu sei que são tempos de Fome Zero, e que estudantes de direito não estão acima de ninguém. Mas talvez fosse importante entender as origens de tal brincadeira para podermos conscientizar melhor os estudantes." Os comentários são, abslotumente, pertinentes. Realmente, não se trata de criticar uma tradição. O que eu quis dizer na coluna anterior é que o hábito de não pagar contas em restaurantes é inaceitável quando a decisão é unilateral, ou seja, imposto pelos estudantes sem que o restaurante esteja de acordo. Quando o restaurante entra na brincadeira do "pindura" de bom grado, a gente só tem a aplaudir iniciativas como essas. |
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