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As cotas para negros em universidades públicas são, sem dúvida, o assunto que mais gera polêmica atualmente na área de educação. Talvez por isso ela tenha sido assunto desta coluna repetidas vezes. Qualquer reportagem sobre o assunto em grande jornal é seguida, sempre, de cartas de leitores defendendo oposições antagônicas. Já escrevi neste espaço que a experiência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) será fundamental para contribuir com fatos para essa discussão. A Uerj é a primeira grande universidade pública e de qualidade a passar pela experiência de adoção de cotas para negros e estudantes da rede pública. A reserva de vagas vale para o ano que vem, mas os primeiros resultados já começam a aparecer. O vestibular da universidade já teve sua primeira fase - eliminatória - a ajudou a lançar algumas pistas sobre o que se previa que aconteceria. Comparando as notas dos alunos que fizeram o teste pelo sistema de cotas com os demais candidatos, percebe-se que os estudantes não beneficiados por cotas têm, realmente, desempenho melhor do que os demais. No entanto, o argumento a favor que pode ser usado pelos defensores das cotas é que a distância entre os "cotistas" e os demais candidatos foi muito pequena. Os estudantes negros e da escola pública que fizeram a primeira fase do vestibular da tiveram um percentual de eliminação do exame de 44%. Parece muito. E é mesmo, só que não é tão distante do percentual de eliminados verificado entre os alunos da rede particular, que foi de 37%. A análise imparcial da coordenadora do vestibular da Uerj, Sônia Wanderley, é que os primeiros resultados sinalizam que a distância entre os "cotistas" e os demais candidatos não foi tão grande assim. Uma análise mais parcial, de quem é um defensor apaixonado das cotas, o frei Davi Santos, coordenador de cursos comunitários para carentes, indica que o resultado foi espetacular. Diz o frei Davi: "O resultado foi excepcional e mostrou que há muita gente boa na rede pública com capacidade e vontade de lutar por uma vaga na universidade. Apesar de estudarem numa escola pior, o resultado foi parecido com o dos estudantes que estudam nas melhores escolas particulares do Rio". O assunto ainda vai gerar muita polêmica, ainda mais porque consta do programa de governo do presidente eleito. Os resultados da Uerj, nesse contexto, serão fundamentais para fundamentar a discussão. |
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